Com Sangue (If it Bleeds, 2020) – o lançamento mais recente do prolifico Stephen King – é uma coletânea de quatro contos que tem tudo para agradar aos fãs do escritor.

Ao contrário de trabalhos anteriores como Escuridão Total Sem Estrelas, não há uma relação tão evidente entre as quatro historias, o que não tira o brilho do resultado final.

O leitor pode esperar aqui muitos dos temas que fazem King ser sempre tão envolvente. Há situações de suspense, mistério, pactos com uma força maior e perigosa, pitadas do absurdo e até doses de um mundo caminhando para o um fim apocalíptico.

Ainda mais fascinantes que os temas são os personagens. King sempre dá atenção especial para o desenvolvimento deles e nestes contos não é diferente.

No ótimo Rato ele mergulha na alma de um autor frustrado por não ter escrito nenhum romance e que agora tem esperanças de criar algo realmente bom.

E o que dizer de Chuck no maravilhoso A Vida de Chuck? O conto tem uma estrutura narrativa diferente e empolgante. Gosto como Stephen King tem a capacidade de elaborar uma cena inicialmente despretensiosa que aos poucos vai se tornando um momento crucial na vida de um personagem. Neste caso, o momento a que me refiro não é nada sangrento ou aterrorizador. Tem a ver, na realidade, com dançar no meio da rua como se ninguém estivesse olhando.

Mas é claro que não poderia faltar algo mais pesado e agora preciso chamar atenção para Com Sangue, o conto que dá título ao livro. Ele já ganha pontos por trazer a inigualável Holly Gibney como protagonista e, além disso, é uma história recheada de suspense com um desfecho imprevisível. E vai uma dica: só leia este conto após ter lido The Outsider. Não é só por questões de spoilers, mas também para aproveitar o máximo desse universo.

Há quem diga que é preciso ler a trilogia de Bill Hodges antes, mas aí já acho um pouco exagerado. A experiência não fica comprometida.

Com Sangue mostra que Stephen King ainda tem muita gasolina no tanque. O homem não para de produzir material de alto nível e se manter relevante. Sorte nossa.