Problemas Monstruosos é um prato cheio para quem gosta de histórias que se passam em um mundo pós-apocalíptico. Mas é bom saber que neste caso a pegada é mais leve e descompromissada, com bastante humor e apenas uma ou outra sequência com certo apelo emocional. Está mais para algo como Zombieland com pitadas de Eu Sou a Lenda.

Uma animação e uma narração fazem a contextualização: Um asteroide vinha de encontro a Terra com um enorme potencial destrutivo e os governantes tentaram contê-lo com foguetes. O que não conseguiram prever é que essa explosão geraria uma chuva tóxica capaz de causar mutações em vários bichos. Esses bichos se transformaram em monstros enormes que em poucos anos passaram a dominar o planeta. Apenas 5% da população sobreviveu e a maioria busca refúgio em abrigos subterrâneos.

Um destes sobreviventes é Joel, um rapaz amigável, solicito e totalmente incapaz de lidar com os perigos deste mundo. A utilidade de Joel se resume a cozinhar um repasto pouco apetitoso e se comunicar com outros abrigos pelo rádio. Foi pelo rádio que ele descobriu que Aimee, o amor da sua vida, está viva. O problema é que mais de 100 km de distância os separam. Finalmente, chega o dia em que ele toma coragem e parte para uma jornada imprevisível em busca da sua cara metade.

Joel dá os seus primeiros passos e logo aprende que não se trata de um passeio no parque. Que tal encarar um sapo gigantesco e agressivo? Só mesmo com a ajuda de um simpático cachorro chamado Boy. Uma aventura fica mais interessante quando se tem uma companhia e essa é uma das melhores. Por alguns momentos o cachorrinho vira o grande destaque de Problemas Monstruosos.

O rapaz terá um outro encontro pelo caminho, o que significa uma oportunidade de evoluir. Será que ele aprenderá o suficiente para vencer os seus medos e chegar no destino almejado?

A superfície é sem dúvida hostil, mas talvez não tanto como eu imaginava. Confesso que esperava por uma experiência um pouco mais assustadora, o que não é o caso. O filme é mesmo para ser encarado como uma diversão mais leve.

Os efeitos especiais são usados com habilidade, fazendo de insetos verdadeiros monstros asquerosos. Mas é importante olhá-los nos olhos para compreender que nem todos querem fazer de você uma nova refeição.

O carismático Dylan O’Brian e o esperto ator canino nos embalam em uma trama não muito original, mas que oferece surpresas divertidas e um eficiente ar de aventura. Destaco também uma sequência mais emotiva envolvendo uma inteligência artificial.

Pena que há uma mudança de tom em uma parte do ato final, com direito a cenas de ação mal coreografadas e personagens surgindo do nada e indo para lugar nenhum. E também se formos analisar algumas decisões do nosso protagonista e de Aimee percebemos que faltou um pouco de inteligência para o roteiro.

Paciência. O filme jamais tenta ser mais do que poderia. Problemas Monstruosos nos apresenta a uma agradável jornada de amadurecimento em meio a um mundo pos-apocalíptico com suas dificuldades e belezas.

Nota: 8