E a fase de Stephen King continua excelente. Nos últimos dois anos ele publicou The Outsider, Ascenção e O Instituto. Isso sem falar no livro de contos Com Sangue. É muito bom ver um dos meus autores favoritos escrevendo febrilmente e colecionando acertos.

Em O Instituo ele decide contar a história de um jeito que sempre considero instigante. Ele usa o primeiro capítulo para apresentar e desenvolver um personagem que só irá aparecer na metade final do livro. Ficamos imaginando em quais circunstâncias o ex-policial e atual vigia noturno Tim Jamieson irá se encontrar com o garoto prodígio Luke Ellis e o resultado não poderia ser melhor. Mas estou me adiantando.

O título O Instituto se refere a um lugar dos mais macabros e tristes concebidos por King. Com características de uma organização secreta, esse instituto busca por crianças com capacidades paranormais por todo os Estados Unidos. Mas eles não são convidados para fazer parte do instituto, não mesmo. Na calada da noite, enviados do instituto sequestram as crianças promissoras, matam seus pais e os deixam presos em um quarto até que comecem a se adaptar a rotina.

Vários experimentos são conduzidos nesse local, sempre com o objetivo de extrair cada vez mais poderes das crianças. Os responsáveis do instituto querem desenvolver os poderes das crianças até o limite. Para quê exatamente é um mistério que vai se revelando aos poucos. O que sabemos de antemão e que quando as crianças vão para a Parte de Trás, elas não são mais vistas.

Luke Ellis é um desses garotos. Lá ele conhece outros mais ou menos como ele. Inteligente como poucos, Luke percebe que quanto mais tempo ele demorar, menos chances terá de sair dali. Algo deverá ser feito. Como?

O Instituto não é uma história de suspense ou terror, ainda que alguns momentos assustadores se façam presentes. Assustadores e cruéis, afinal King descreve sem pudor torturas em crianças. Poucas coisas podem ser mais perturbadoras do que isso.

O livro tem uma pegada mais para a ficção-científica e fantasia, mas de maneira controlada. A trama é trabalhada com calma, o que nos deixa realmente imersos e dispostos a encarar com naturalidade situações pouco usuais.

Quando os personagens principais de King são crianças é quase impossível ele errar a mão. Aqui a atmosfera não é exatamente de aventura, afinal as crianças estão encarceradas. É na verdade uma experiência essencialmente pesada e aflitiva. Momentos mais leves ficam reservados para quando as crianças desenvolvem um inevitável companheirismo entre elas.

As páginas passaram voando. Até coloquei um limite de leitura por dia para não acabar muito rápido. Não faltam referências do autor a ele mesmo e também a cultura pop. O fã de King vai se sentir em casa.

Mas nem tudo são flores. Devo dizer que há um certo exagero nas críticas a Trump aqui. Ainda que eu compartilhe das opiniões de King em relação ao presidente dos Estados Unidos, a maneira como as críticas são feitas soam pouco naturais e até me fizeram perder um pouco da imersão. Coisa momentânea, é claro.

E se você está preocupado em relação ao final, pode ficar tranquilo. O Instituto tem um dos melhores finais de Stephen King em anos. É uma conclusão que não soa absurda e que nos faz refletir sobre como essa história é mais profunda do que aparenta.

Nota: 8.5