Euphoria, um dos seriados mais comentados da HBO no mundo pós-Game of Thrones, é uma experiência corajosa e relevante, mas não livre de falhas. O objetivo principal dos criadores parece ser chamar a atenção para situações da adolescência, algo que infelizmente nem sempre é feito da melhor maneira.

Enquanto alguns dramas pessoais são mais interessantes, outros acabam forçando a barra ao extremo, tornando Euphoria um seriado irregular.

Cada episódio foca em um personagem e suas histórias atribuladas, sem esquecer que Rue (Zendaya) é a estrela que brilha com mais intensidade.

Temas como vício em drogas, bipolaridade, traição, traumas da infância, relacionamentos abusivos, aborto, linchamento virtual, aceitação do corpo, tráfico e muitos outros são discutidos de alguma forma nos 8 episódios da primeira temporada. Parece pouco tempo para tanta coisa e realmente é. Há um claro exagero em querer explorar tantos dramas. Euphoria poderia investir na máxima de que menos é mais.

Se a temporada começa com energia e nos permite criar empatia com Rue e Jules, o roteiro parece não saber muito bem para onde ir, culminando em um final de temporada um tanto quanto patético.

Até parece que eu odiei Euphoria, mas não é bem assim. Até o quarto episódio eu estive realmente investido. As possibilidades das tramas envolvendo Nate, Jules e Rue me deixaram motivado. A estética arrojada também empolgou.

A maioria dos episódios nos faz sentir em uma balada, tanto pela fotografia como pela trilha sonora. Isso sem falar nos movimentos de câmera e na iluminação que passam com sucesso a sensação de estar chapado.

Pena que tudo vai aos poucos indo por água abaixo. É claro que Euphoria é muito superior ao tosco 13 Reasons Why, mas os últimos episódios desperdiçam quase tudo o que havia sido feito.

Terminar o season finale com um número musical foi pretensioso e demonstrou que faltaram boas ideias. Se você ainda quiser saber o que vai acontecer com as várias pontas soltas deixadas terá que assistir a próxima temporada.

Quanto a mim, estou fora.

Nota: 6

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