Uma prisão vertical cuja altura total não sabemos. Duas pessoas em cada andar. No meio do pequeno espaço, há um buraco por onde passa uma plataforma com comida. No andar número 1, o banquete está repleto e intocado. A medida que desce, os prisioneiros se empanturram pelos dois minutos que tem direito. Não é permitido guardar a comida. Depois de alguns andares, nada mais resta. Somente o caos. A cada mês, há uma troca de andares de maneira aleatória.

A intrigante premissa de O Poço resulta em uma experiência que funciona tanto como comentário social e como um thriller. A crítica está longe de ser sutil, mas é atemporal e poderosa. Se as pessoas dos andares superiores comessem apenas o suficiente para a sobrevivência, todos conseguiriam se manter vivos. Mas na maioria das vezes sabemos que quanto mais a pessoa pode ter, mais ela quer.

O filme vai ainda mais fundo aos nos fazer refletir sobre vários detalhes desse mecanismo assustador. Os prisioneiros que estão lá em cima agora, podem ter passado por um mês terrível no andar 72 e estão traumatizados. Se alguém que está no andar 170 sem comida alguma toma uma atitude violenta a culpa é de quem? Dele ou daqueles de cima que não souberam dividir?

Há quem diga que o que temos aqui é uma ferrenha crítica ao capitalismo, mas o socialismo também é criticado em vários momentos. O Poço condena o poder desmedido independente da ideologia. Além disso, é um filme que fica cada vez mais tenso, claustrofóbico, visceral e imprevisível.

O final em aberto neste caso soou como uma dificuldade do roteiro em corresponder as expectativas criadas pela envolvente história. Entretanto, está longe de comprometer.

Nota: 8