A Trapaça nos mostra um Federico Fellini ainda longe do espetaculoso, mas já capaz de conduzir com sensibilidade uma trama forte. Com elementos claros do neorrealismo, vemos uma Itália miserável no pós-guerra.  A vida já é naturalmente difícil para a maioria da população e as coisas ficam ainda piores quando golpistas querem se aproveitar.

Fellini permite que criemos empatia com esse grupo de larápios e conseguimos nos divertir com o primeiro golpe deles, até certo ponto. Mas as coisas vão ficando mais sérias e pesadas e não há mais como justificar as atitudes deles. Aos poucos, entendemos o recado que Fellini quer passar.

Augusto, o líder do grupo e o personagem melhor elaborado, tem lá seus motivos para precisar de mais dinheiro, mas daí para prejudicar quem já tem pouco é outra história. O fato é que existe uma possibilidade de redenção para ele. Só não sabemos se ele irá aproveitar.

Este é um dos filmes mais acessíveis do diretor. Ele começa mais leve e termina arrebatador, caminhando para esse rumo de maneira natural. A Trapaça é um retrato de quão podre o ser humano pode ser. Temos amostras de como as pessoas podem ter atitudes imorais para garantir o seu sustento, pouco importando que isso destrua as perspectivas de outros.

Nota: 9

Título Original:  Il Bidone
Ano: 1955
Direção: Federico Fellini
Roteiro: Federico Fellini, Ennio Flaiano
Elenco: Broderick Crawford, Richard Basehart, Giulietta Masina

A Trapaça (Il Bidone, 1955)