Com 4 horas e 30 minutos de duração, Anjos Assassinos é um épico colossal que retrata com boa acurácia histórica a batalha mais importante da Guerra Civil americana.

É um trabalho minucioso em termos de produção. Houve muita pesquisa e muito empenho da equipe para deixar tudo o mais realista possível. O filme foi rodado na própria cidade de Gettysburg. Os figurinos e os armamentos transbordam autenticidade. Só as barbas postiças ficam devendo nesse sentido. Tecnicamente, é um feito e tanto. O diretor demonstra segurança e classe. Os planos geralmente são longos e há todo um cuidado com a geografia das cenas, permitindo que sempre saibamos o posicionamento dos soldados e o que está realmente ocorrendo.

Mas nem tudo são flores. Há bastante decisões equivocadas que comprometem a nossa experiência. Mesmo com atuações inspiradas como a de Jeff Daniels e Tom Berenger, os diálogos são extremamente maçantes. A impressão que temos é que os personagens fazem discursos para entrar em livros de História em vez de manterem conversas. E são monólogos longuíssimos que tornam os minutos entre a ação cansativos.

Outro defeito de Anjos Assassinos está em amenizar a violência. Não que não tenhamos uma ou outra cena intensa nesse sentido, mas faltou brutalidade e visceralidade para retratar esta que foi uma das piores guerras da História.

O filme não toma exatamente um partido, o que nesse caso acaba sendo uma falha, considerando que o Sul queria manter a escravidão. Soa estranho também a insistência do roteiro em mostrar soldados rasgando elogios para os oponentes. Essas demonstrações de apreço pelo inimigo parecem exageradas. É uma tentativa de romantizar o conflito, como se tudo fosse um mal entendido entre cavalheiros honrados. Longe disso. A Guerra Civil Americana foi uma carnificina dantesca.

É claro que houve atos de coragem e sacrifícios em prol de um bem maior. A batalha da colina nos dá essa noção. É o grande momento do filme, com direito a um desenrolar do confronto cheio de suspense, tensão e violência. Só que isso representa apenas 45 minutos dos 270. O sacrifício maior cabe ao público capaz de aguentar os excessos do diretor, como as intermináveis sequências de soldados marchando, numa tentativa falha de emular Ran de Akira Kurosawa.

Se você se considera um aficcionado pelo assunto, provavelmente irá obter momentos satisfatórios nessa maratona. Apenas saiba que paciência é uma virtude essencial para dar o play.

Nota: 6.5