Com a monumental falta de qualidade de A Ameaça Fantasma ainda atormentando a minha mente, fui assistir a Ataque dos Clones esperando pouco ou quase nada. Possuir expectativas tão baixas assim sempre se revela algo positivo e não foi diferente desta vez.

Ainda que o filme tenha uma quantidade considerável de falhas, ele apresenta uma evolução em diversos aspectos se compararmos com o capítulo anterior. Convenhamos, se as coisas tivessem piorado, era melhor acabar com a saga Star Wars por aqui.

A história se passa uns 10 anos depois do que é visto em A Ameaça Fantasma. Obi Wan Kenobi e seu padawan Anakin recebem a missão de proteger a princesa Amidala. Enquanto Anakin e Amidala vão para Naboo buscando refúgio, Obi Wan inicia uma investigação para chegar em quem mandou assassinar a princesa. O fato é que o birrento postulante a jedi procurava algo a mais quando foi para Naboo. Sim, ele estava embriagado de amor.

É uma pena que essa história de amor é digna dos piores episódios de malhação. Além da notória incapacidade de George Lucas para escrever diálogos que transmitam vestígios de paixão, as atuações de Natalie Portman e Hayden Christensen deixam tudo ainda mais insosso. A química inexiste. Amidala rejeitava os avanços de Anakin como se ele fosse um irmão para ela, até o momento em que ela começa a corresponder. Do nada. Um mero romance protocolar para a saga continuar.

Vários parsecs distante, Obi Wan descobre que um jedi convertido pode estar por trás da criação de um exército de clones. Uma grande batalha se aproxima.

O ponto principal de Ataque dos Clones deveria ser a sutil passagem de Anakin para o lado sombrio. Infelizmente, não há muita sutileza. Anakin muitas vezes parece um adolescente revoltadinho com o mundo por ter tirado uma nota ruim na escola. Ele faz caras e bocas para mostrar que está nervoso. Um momento em que o filme acerta nesta abordagem é quando Anakin vai em busca de vingança. Tem até acordes da Marcha Imperial. O pior é que mesmo aí o roteiro se sabota ao fazer o coitado do ator berrar um retumbante “EU ODEIO ELES!”. Noffa.

Apesar de tudo, por incrível que pareça, gosto sim do filme. Mesmo com esses problemas, ele flui agradavelmente. Os efeitos especiais são de ponta e desta vez são usados com mais inteligência. Claro que existem exageros, mas Lucas soube se controlar e isso colabora para manter o público mais investido na trama.

Também foi ótimo ver os jedi pegando em armas. Chega de bla, bla, bla! Com seus sabres de luz prontos para decepar cabeças, os jedi foram ajudar seus amigos e tentar impedir a guerra. Eis que surge a oportunidade de ver o maior mestre Jedi de todos os tempos em ação. Há quem reprove as acrobacias mirabolantes do mestre Yoda, não é o meu caso. Me diverti com a agilidade marota do velhinho. E ele ainda sai andando como se precisasse de uma bengala.

Falando em diversão, é bem isso que Ataque dos Clones oferece. É uma experiência menos infantiloide e mais direta. Ao contrário de A Ameaça Fantasma – que é puro esterco de gungan -, O Ataque dos Clones poderia ter sido bem melhor se decisões um pouco mais sábias tivessem sido tomadas. No final das contas, cumpriu o papel.

Nota: 7.5

Título Original: Star Wars: Episode I – Attack of the Clones
Ano: 2002
Direção: George Lucas
Roteiro: George Lucas
Elenco: Hayden Christensen, Ewan McGregor, Natalie Portman