E La Nave Va não é nem de longe um dos grandes trabalhos do cineasta italiano Federico Fellini, mas é um filme que consegue agradar os entusiastas do diretor eventualmente. O que chama mesmo a atenção aqui são as escolhas de Fellini na maneira de contar uma história sem muito apelo.

Tudo começa com uma sequência que emula o cinema mudo. Exercício de estilo? Talvez, mas é algo bem feito e que pode ser considerado uma homenagem. Vemos e não ouvimos o embarque de várias pessoas em um grande navio. Quando o som e as cores surgem, um personagem fala diretamente para a câmera e conta quem são essas pessoas e qual o motivo de estarem ali.

Uma importante cantora de ópera havia revelado que, quando morresse, gostaria que suas cinzas fossem jogadas perto da ilha onde nasceu. No navio estão presentes muitos de seus amigos e colegas, a maioria do mundo artístico. É tipo um cortejo fúnebre no mar.

Pelo caminho, situações inusitadas, personagens peculiares e nada realmente interessante tirando um rinoceronte. Quer dizer, a presença de refugiados sérvios adiciona um pouco de peso para a narrativa meia boca. O ano é 1914 e o arquiduque Francisco Ferdinando acaba de ser assassinado. A guerra está para começar e os sérvios serão perseguidos pelo império austro-húngaro que possui submarinos por perto.

E La Nave Va é uma mistura irregular de drama, sátira e musical. Fellini parecia mais preocupado em mostrar que poderia fazer o que bem entendesse que haveria alguém para defendê-lo e exaltá-lo. Qual seria a justificativa para a cena final revelando o set de filmagem se não mera vontade de aparecer?

Fellini foi bem melhor do que isso.

Nota: 6

Título Original:  E La Nave Va
Ano: 1983
Direção: Federico Fellini
Roteiro: Federico Fellini, Tonino Guerra
Elenco: Freddie Jones, Barbara Jefford, Victor Poletti