É impossível não reconhecer o requinte estilístico que o diretor Alejandro Landes coloca em Monos, seu mais recente trabalho. Nascido no Brasil, mas de nacionalidades colombiana e equatoriana, o diretor tem agradado ao público do circuito mais alternativo e artístico. Monos possui uma fotografia que chama a atenção pelos enquadramentos primorosos e por saber explorar o cenário natural com maestria. Há também um inteligente uso da trilha sonora que contribui na concepção do tom de urgência e da atmosfera melancolicamente carregada. O problema é que terminamos o filme sabendo muito pouco sobre os personagens e quase nada do contexto do que vemos.

Somos apresentados a uma pequena milícia treinada com rigor espartano por um líder peculiar. Enquanto fazem exercícios, mantém uma americana em cativeiro. Como a maioria dos jovens, possuem a tendência de pisar na bola quando não estão supervisionados. E não há muito mais do que isso.

Em momento algum descobrimos quem é essa mulher sequestrada e o que eles pretendem. Não sabemos se eles fazem parte de uma organização maior e não temos a menor ideia sobre o que eles pensam disso tudo. Gosto quando os roteiros deixam coisas em aberto, mas em Monos a sensação é que faltaram ideias e sobrou pretensão. E se você busca batalhas e ação, pode esquecer. A pegada é bem outra.

Nota: 6.5