Tudo começa com um rapaz chamado Norval chegando em uma casa isolada na frente do mar. Ele está ali para visitar o pai que não vê há muitos anos. E esse reencontro fica cada vez mais bizarro. Gordon é tudo menos um pai amoroso. O cara não larga o copo de whisky, é irritadiço e impulsivo. Trata-se de uma bomba relógio prestes a explodir. Aparentemente, reconquistar o filho está longe de ser seu objetivo. Norval percebe que há algo muito estranho acontecendo nessa casa. É melhor eu não revelar mais partes da trama se não posso cair no terreno do spoiler. Basta dizer que o filme tem uma mudança de tom muito bem-vinda a partir de um acontecimento surpreendente.

Come to Daddy inicialmente funciona como um thriller psicológico, passeia pelo suspense e chega com tudo no humor negro. São várias as sequências do filme que oferecem diálogos inspirados e situações de um humor peculiar. Um exemplo memorável é quando um personagem introduz uma caneta embebida em excremento no abdome de um desafeto. Por incrível que pareça, Come to Daddy consegue trabalhar com seus temas de uma maneira muito mais engraçada do que aflitiva, nos proporcionando uma experiência divertida.

Este é um filme que foge do lugar comum e não tem medo de arriscar. Há até mesmo espaço para uma resolução melodramática na medida certa. Sustentado por uma sólida atuação de Elijah Wood e beneficiado por não se levar tão sério, Come to Daddy é um belo de um achado. Essa foi a estreia na direção de Ant Timpson e confesso que estou curioso para saber o que ele fará em seguida.

Nota: 8