Não são poucos os entusiastas de Federico Fellini que consideram Noites de Cabíria seu melhor trabalho. Ainda me falta assistir a alguns filmes para elaborar o meu ranking do diretor, mas certamente este ocupará uma das primeiras posições.

O filme tem início com Cabíria sendo jogada em um rio pelo namorado que queria apenas o seu dinheiro. Cabíria não morre por mera sorte e custa a acreditar que o que aconteceu foi algo intencional. Ela pode ser inocente desse jeito em algumas situações. Trata-se de uma personagem imprevisível repleta de virtudes e defeitos e totalmente encantadora graças a fabulosa atuação de Giulietta Masina.

Cabiria é uma mulher da vida. Seu mundo é uma Roma boêmia e decadente ainda sofrendo com o pós-guerra. Ela passa as noites em busca de trabalhos decentes e eventualmente fugindo de policiais. Ela é orgulhosa, impulsiva, delicada e sentimental. É uma personagem extremamente rica e fácil de se criar empatia. Embarcamos com ela em uma busca de um amor improvável. Ela quer encontrar um amor verdadeiro, algo que sabemos de antemão que será muito difícil de acontecer.

Noites de Cabíria não tem uma trama leve. É preciso ficar preparado para uma torrente de emoções proporcionadas por Fellini e por Giulietta Masina. É melhor sempre desconfiar que algo poderá dar errado, apesar de parecer que tudo vai bem. Fellini faz com que nos importemos muito com Cabíria e assim quase sentimos na pele o que ela sente.

Aqui Fellini ainda mantém seus pés na realidade e talvez por isso mesmo o impacto da conclusão seja tão avassalador. Isso é cinema de altíssimo nível.

Nota: 9.5

Título Original:  Le notti di Cabiria
Ano: 1957
Direção: Federico Fellini
Roteiro: Federico Fellini, Ennio Flaiano
Elenco: Giulietta Masina, François Périer, Franca Marzi