A tarefa de adaptar para o cinema o livro O Sol é para Todos não era fácil, mas o diretor Robert Mulligan foi capaz de fazer as mudanças necessárias para tornar o texto mais cinematográfico sem perder a essência do que Harper Lee escreveu. O filme ainda é amado pelo público e pelos críticos. Ele está na 117ª posição de melhores de todos os tempos no IMDb e no Oscar de 1963 recebeu três prêmios, incluindo melhor ator para Gregory Peck.

A história se passa em uma pacata cidade do sul dos Estados Unidos alguns anos após o início da Grande Depressão. Nesta época e local o racismo estava enraizado na sociedade de maneira brutal e a falta de dinheiro atingia a maior parte das pessoas. O Sol é para Todos tem seu enredo desenvolvido a partir da perspectiva de Scout, Jem e Dill, as três curiosas crianças que querem apenas se divertir. Elas olham com desconfiança para uma casa vizinha em que supostamente habita um jovem monstruoso. Jem se considera um irmão mais velho corajoso só pelo fato de encostar na janela dessa casa. Scout é uma menina de 6 anos valente e de bom coração. Dill é um rapazinho dos mais peculiares e engraçados.

O mais corajoso aqui é Atticus Finch, o pai de Jem e Scout. Ele é o advogado indicado para defender um homem negro acusado de estupro por uma mulher branca. Tal caso parece estar perdido antes de começar. Atticus não apenas tem que defender um caso com poucas perspectivas, mas também enfrentar toda a ira da população racista de Maycomb, algo que faz com elegância e civilidade. Em relação aos filhos, é carinhoso e atencioso. Um verdadeiro exemplo. Não à toa, foi considerado o maior herói do cinema pela AFI.

O Sol é Para Todos tem uma história envolvente e um forte apelo dramático. O filme é dividido basicamente em duas partes, sendo a metade final um drama de tribunal. Durante o julgamento brilham os atores Gregory Peck e Brock Peters. O diretor Robert Mulligan prefere contar a história com classe e segurança em vez de chamar a atenção para si. Há uma esperada lição de moral no terceiro ato que funciona bem.

Este é um daqueles clássicos que envelhecem como o vinho. É a segunda vez que assisto e posso dizer que a experiência se manteve de alto nível. É uma obra que merece ser revisitada sempre que possível, principalmente para apreciarmos o inspirador personagem chamado Atticus Finch.

Nota: 9

Título Original:  To Kill a Mockingbird
Ano: 1962
Direção: Robert Mulligan
Roteiro: Horton Foote
Elenco: Gregory Peck, Brock Peters, Robert Duvall, Mary Badham, Phillip Alford
Oscar: Vencedor: Melhor ator principal (Gregory Peck), Melhor roteiro adaptado, Melhor direção de arte. Indicado: Melhor filme, Melhor atriz coadjuvante (Mary Badham), Melhor diretor, Melhor fotografia, Melhor trilha sonora.