Neste momento complicado de coronavírus em que vivemos muitos filmes sobre pandemias são redescobertos, para o bem ou para o mal. No caso do coreano Flu (Gamgi, 2013) foi para o mal, afinal o filme consegue errar a mão em quase todos os aspectos cinematográficos possíveis.

Em uma cidade da Coreia um vírus dos mais letais se dissemina rapidamente. Em um período de poucos dias o infectado apresenta manchas pelo corpo, febre, tosse e logo está se afogando no próprio sangue. Claro que antes de morrer ele já contaminou muita gente.

O governo se vê obrigado a tomar medidas drásticas e, convenhamos, idiotas. Não demora muito e a escalada do vírus se torna um pesadelo biológico com contornos apocalípticos.

As sequências em Flu são extremamente frenéticas. Há um número excessivo de cortes e a câmera tremida é daquelas com potencial para causar náuseas. No ato final, quando o caos é total, muitas vezes fica difícil entender o que está acontecendo.

É claro que a suspensão da descrença é uma ferramenta importante quando assistimos a algo deste tipo, mas chega uma hora que não conseguimos mais aceitar tantos personagens tomando atitudes bizarras. Se alguém em Flu tem a oportunidade de fazer algo errado, vai fazer. E não importa se estamos falando de uma criancinha chorona, uma médica irritante e renomada ou um socorrista experiente e mulherengo. Todos parecem ter no máximo dois neurônios.

Mais absurda que a burrice dos insuportáveis personagens é a burrice do roteiro. O início razoável e os detalhes científicos verossímeis são aos poucos dizimados e se transformam em algo surreal. E quando tudo parecia ruim o suficiente, os clichês aumentam de maneira exponencial, culminando em um sequência final insuportável.

O cinema coreano é muito melhor do que isso.

Nota: 4/10