Os Boas Vidas formam um grupo de 5 jovens adultos que preferem passar seus dias no ócio e em festas do que trabalhar e assumir responsabilidades. Fausto é o mulherengo incorrigível. O cara não pode ver uma mulher minimamente atraente que já tenta seduzi-la. Alberto vive sugando a mãe e a irmã. Leopoldo mora com os pais e almeja ser um escritor. Riccardo é o coadjuvante que também não trabalha. Moraldo é um tanto sorumbático e é o único que repensa esse modo de vida.

As coisas começam a mudar para Fausto quando ele descobre que sua namorada está grávida. Ele é obrigado pelo próprio pai a se casar e a trabalhar. Mesmo casado ele não muda suas atitudes. Ele é capaz de flertar com outras mulheres mesmo quando está passeando com sua esposa. Não há limites para os desejos de Fausto. Moraldo passa a questionar sua existência pouco produtiva enquanto caminha na madrugada. Para ele, viajar para Roma pode ser uma saída.

Ainda que Os Boas Vidas nos apresente a 5 autênticos vagabundos, Fellini prefere uma abordagem nostálgica. Trata-se de 5 pessoas que estão amadurecendo tarde, mas que não são completos inúteis. Pode ser que eles consigam encontrar um rumo e trazer algum significado para suas vidas. A redenção é possível para todos.

O filme tem uma pegada leve e divertida, com bastante ironia e um pouco de crítica. Algumas sequências são extremamente cômicas, como quando Fausto toma uma surra de cinta sem precedentes do pai. Ele reage tal qual uma criança, que no fundo é o que ele ainda é.

Dentro da brilhante carreira de Fellini, Os Boas Vidas é um trabalho menor e parte autobiográfico que serviu para pavimentar o seu caminho para a grandeza. Como curiosidade, era um dos filmes preferidos do grande mestre Stanley Kubrick.

Nota: 8

Título Original:  I Vitelloni
Ano: 1953
Direção: Federico Fellini
Roteiro: Federico Fellini, Enio Flaiano
Elenco: Alberto Sordi, Franco Fabrizi, Franco Interlenghi
Oscar: Melhor roteiro original (indicado)