Talvez dividir Kill Bill em duas partes tenha sido uma mera jogada de marketing, mas isso não atrapalhou tanto a experiência como um todo. Ainda que neste primeiro capítulo não exista um final propriamente dito, a jornada de vingança da Noiva traz praticamente tudo o que podemos desejar de um diretor como Quentin Tarantino.

Kill Bill: Vol. 1 mostra que o cérebro de Tarantino é fervilhante caldeirão de referências cinematográficas. Tais referências são usadas com ousadia e criatividade para contar a história de uma mulher que foi traída e deixada para morrer. Agora ela quer apenas se vingar de todos os responsáveis. Ela faz uma lista de cinco nomes e nós vamos acompanhá-la nessa caçada.

Poucos filmes foram tão divertidos de se assistir na década passada. Uma Thuman está bem a vontade como uma verdadeira máquina de matar. A violência empregada nas cenas é extremamente estilizada, portanto dificilmente alguém poderá sentir aflição. Mas que elas impressionam, não restam dúvidas.

Um dos grandes momentos de Kill Bill é quando o filme dá lugar para um anime que explica as origens de uma personagem. Um prato cheio para quem gosta deste nicho da cultura japonesa.

Vale a pena observar também as relações de Kill Bill com Pulp Fiction, como o uso da espada de Samurai e a cidade de Okinawa (lembram do monólogo de Cristopher Walken?).

Com um ritmo ágil e vibrante, o filme jamais deixa de nos divertir. A trilha sonora escolhida a dedo também colabora para nos deixar no clima. Há ainda tempo para uma interessante reviravolta no final. É meio impossível terminar de assistir essa primeira parte e não querer imediatamente ver a sequência.

E isso é mais uma prova de que as coisas funcionaram muito bem aqui.

Nota: 9