Nasce Uma Estrela foi um projeto arriscado, afinal a direção coube ao estreante na função Bradley Cooper e como atriz principal foi escolhida uma cantora que nunca havia sido a estrela de um filme. A suposta aposta se mostrou acertada.

Bradley Cooper comanda o filme com mão segura. Ele capturou com eficiência vários aspectos do mundo do show business, além de conceber cenas com grande carga emocional. O roteiro eventualmente soa apressado, mas como estamos muito investidos na história isso acaba não atrapalhando.

Mesmo com um enredo batido, Nasce uma Estrela funciona pois souberam atualizá-lo para os tempos atuais.

Ally divide o seu tempo entre um trabalho estafante e shows musicais em um bar de drag queens. Jackson Maine é uma estrela do country rock que já começou o seu período de decadência, apesar de ainda empolgar o público. Graças a uma feliz coincidência os dois se encontram e além de um relacionamento intenso, começam a se ajudar no palco.

Jackson Maine tem um problema que foi responsável por abreviar a carreira de muitos músicos talentosos: o vício no álcool. Ele também usa drogas ilícitas, mas é o álcool que está diariamente acabando com ele. Bradley Cooper compõe o personagem de uma forma sensacional, mudando o seu modo de falar e investido em uma linguagem corporal que diz muito.

Este não é um musical em que os personagens começam a cantar em vez de falar, mas a música obviamente é um dos principais atrativos de Nasce uma Estrela. Bradley Cooper surpreende com sua voz e Lady Gaga simplesmente brilha. Lady Gaga entrega uma performance extremamente competente, mas é cantando que ela realmente nos encanta.

Dois momentos merecem imenso destaque: a introdução do personagem de Bradley Cooper e, principalmente, a primeira aparição de Ally no palco cantando a agora famosa Shallow.

A crítica ao mundo do show business fervilha em diversas sequências. É sabido que muitas vezes não basta boas letras e uma boa voz para se fazer sucesso. Há todo um processo por trás disso envolvendo aspectos que na verdade deveriam ser irrelevantes. O problema é que o público em geral tem um certo apreço por coisas espalhafatosas. Confesso que é algo que não consigo entender. O que consegui entender muito bem quando os créditos começaram a descer é que eu estava diante de um dos grande filmes de 2018.

Nota: 8


By Brauns
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