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Quando investimos no nosso impulso cinéfilo de ir atrás de filmes relevantes para a História do cinema não é incomum nos depararmos a seguinte situação: assistirmos a um clássico consagrado e simplesmente não gostarmos de quase nada. É o meu caso com A Bela da Tarde, uma das obras mais famosas do cineasta espanhol Luis Buñuel. Esta foi a minha segunda vez diante deste filme. Confesso que tive uma experiência um pouco melhor do que a anterior, porém foi insuficiente para me tornar um admirador.

A Bela da Tarde mostra a história de Severine, uma mulher bem casada e sem problemas financeiros, que é incapaz de sentir qualquer tipo de prazer diante do marido. Eles até dormem em camas separadas! O fato é que ele é bonzinho demais para despertar o tesão nela. O que ela quer é receber ordens, ser tratada de maneira rude, apanhar, ser xingada, ser sujada de lama e assim por diante. Tais desejos ficam evidenciados por cenas que revelam suas fantasias e também pela sua decisão de ‘trabalhar’ em um bordel parisiense como mulher da vida.

A trama pode ser superficial, mas consegue proporcionar reflexões interessantes acerca das atitudes de Severine e da sociedade como um todo. Trata-se de um distúrbio psicológico grave ou apenas uma fuga do tédio? Difícil dizer. Apesar do tema abordado, não espere por cenas gráficas de sexo, mas sim por boas doses de erotismo. Não dá para negar o apelo sexual da bela Catherine Deneuve. não é mesmo?

O filme marcou época e tornou-se admirado por grandes nomes do cinema, como Martin Scorsese e da crítica, como Roger Ebert, além de levar o Leão de Ouro de Veneza em 1967.