birdman-2014

Birdman era um dos filmes mais esperados por este cinéfilo de plantão e devo dizer que as minhas expectativas foram quase completamente correspondidas. Indicado a 9 Oscars, o mais recente trabalho de Alejandro Gonazáles Iñárritu merece todo o reconhecimento e admiração que vem recebendo. O filme é grandioso em termos técnicos, tematicamente ambicioso e ainda conta com atuações muito inspiradas.

Michael Keaton é Riggan Thomson, um ator que fez muito sucesso ao interpretar o herói Birdman há 20 anos e hoje tenta reconquistar o seu lugar ao sol adaptando, dirigindo e estrelando uma peça na Broadway.

Com o desejo de provar a todos que ele ainda é relevante, Riggan não vai medir esforços para fazer com que a peça seja um sucesso. O problema é que o dia da estreia se aproxima e a cada instante uma nova dificuldade surge. Problemas, problemas e mais problemas!

Iñárritu utiliza longas tomadas e a edição quer nos passar a ideia de que tudo foi feito em um longo plano-sequência. Essa escolha faz de Birdman uma experiência cuja intensidade não para de crescer. Temos a sensação de que estamos de fato vivendo essa história junto com os personagens. A conexão é total. O que muito colabora para isso, também, são as atuações que beiram a perfeição. Michael Keaton está incrível e Edward Norton não fica muito atrás.

Além da técnica apurada, Birdman se destaca por criticar o mundo do cinema e das artes em geral, algo que é feito de diversas maneiras: jornalistas que não se aprofundam em uma entrevista, críticos que querem destruir um trabalho por birras pessoais, desvalorização da arte e assim por diante.

Este é um filme praticamente completo, que funciona como drama existencial e até como comédia. Diversas sequências nos oferecem boas doses de um humor eficiente e às vezes até surpreendente.

O final ambíguo permite algumas interpretações interessantes, mas considero que um desfecho mais claro poderia ser muito benéfico. De qualquer forma, um dos grandes do ano!
[9.0]