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Cheryl é uma jovem que decide iniciar uma jornada das mais exaustivas: percorrer a Pacific Crest Trail, uma trilha de cerca de 1.800 quilômetros, desde a fronteira dos Estados Unidos com o México até o Canadá. Antes mesmo de iniciar essa longa caminhada Cheryl já enfrenta dificuldades, como o incrível tamanho de sua mochila, posteriormente apelidada de “Monstro” por outros trilheiros.

A inexperiência e a autocrítica constante proporcionam algumas cenas de humor e também colaboram para criarmos empatia com a garota. Após percorrer alguns poucos quilômetros, ela já precisa lidar com enormes hematomas, dores pelo corpo e medo. Medo não só de animais selvagens e dos sons desconhecidos, mas principalmente de homens que demonstram no olhar suas condenáveis intenções.

A narrativa alterna sequências do presente com ótimos flashbacks, cuja intenção primordial é mostrar os motivos que a levaram a realizar essa empreitada. Percebemos um forte laço emotivo de Cheryl com a mãe, uma mulher que sempre enfrentou as dificuldades tentando olhar para o lado positivo da vida. Após a morte da mãe, Cheryl passou a usar drogas, ter relações sexuais com qualquer um e se distanciar de todos à sua volta. Enfrentar a imensidão por vezes hostil da natureza e os seus próprios traumas é uma oportunidade para um renascimento simbólico.

Um dos pontos mais marcantes de Livre é sem dúvida a bela fotografia, que realça a beleza selvagem dos lugares por onde ela passa. Mas é claro que o destaque é a atuação de Reese Whiterspoon, totalmente entregue ao personagem e com grandes de ser reconhecida pelo Oscar.

É difícil não comparar este filme com Na Natureza Selvagem. Livre pode não ser tão bom, mas está longe de ser uma mera cópia. Aliás, está aí uma boa dica para uma sessão dupla.
[8.5]