PACIFIC RIMDo meio de uma fenda no oceano pacífico surgem monstros gigantescos e violentos, os kaijus. O único propósito deles é destruir tudo o que veem pela frente. Os terráqueos criam robôs imponentes comandados por duas pessoas para combatê-los. Ficam conhecidos como jaegers. O problema é que os kaijus evoluem e tornam os jaegers quase que obsoletos. O apocalipse está batendo à porta, mas há um grupo especial que vai resistir até o fim.

Não vejo sentido em alguém criticar uma trama dessas, chamando-a de estúpida ou infantil. O cinema permite que fantasias venham à tona e acho difícil imaginar algo que estimule mais o lado nerd dos cinéfilos do que acompanhar confrontos épicos entre aliens e robôs na telona.

Como ferrenho fã de sci-fi e admirador de Guillermo del Toro minha empolgação era enorme, tão grande como a tela do imax em que assisti ao filme. Infelizmente, a empolgação durou pouco, rapidamente se transformando em tédio e em um desejo de que a experiência terminasse o quanto antes.

Não é segredo para ninguém que a razão da existência de Círculo de Fogo se resume às cenas de ação. Li alguns comentários elogiando a capacidade do del Toro de fazer com que o público entenda o que acontece durante os combates e me espantei. Será que minha miopia está piorando ou era excesso de sono? Bom, o que eu vi foram três longas cenas de luta extremamente repetitivas, sempre no escuro, com a câmera muito próxima da ação, tudo em um ritmo absurdamente frenético e confuso. Quem vê uma das lutas entre aliens e robôs já viu todas e como o roteiro não oferece quase nada em termos de enredo, o filme acaba no primeiro ato.

Só se salvam as cenas em que del Toro investe na câmera lenta ou em momentos menos caóticos, como quando dois pilotos abandonam o robô e encaram o monstro de frente ou quando vemos os jaegers sendo levados para o mar pelos helicópteros.

Eu achava que seria embalado pela nostalgia e relembraria os bons tempos de seriados japoneses e power rangers da vida. Ledo engano.

Podemos esquecer qualquer laço emocional com os personagens ou com qualquer situação. Vemos várias cidades destruídas, mas simplesmente não nos importamos com isso. O único ator que se sobressai é Idris Elba, fazendo das tripas coração e entregando uma atuação competente mesmo com um material clichê. Charlie Hunnam, ator que já demonstrou grande qualidade no seriado Sons of Anarchy, pouco faz aqui para tornar Raleigh relevante.

Círculo de Fogo está com média 7,6 no IMDb e cerca de 70% de aprovação no Rotten Tomatoes. Se tirassem o nome do del Toro dos créditos e colocassem o do Michael Bay esse número iria cair para uns 30%. A “grife” del Toro faz os críticos terem boa vontade ao darem as notas, mas na realidade isso aqui está no mesmo nível de Transformers.
4/10