gabinete-dr-caligari-posterEis um grande exemplo do cinema fantástico da década de 1920 e também do expressionismo alemão. Desde as primeiras cenas somos hipnotizados pelo visual distorcido do filme, que encanta e perturba ao mesmo tempo. Os cenários repletos de detalhes são essenciais para a sensação de pesadelo que é transmitida, com direito a paredes formando ângulos bizarros que lembram os trabalhos de Escher, bancos que fazem os personagens quase encostarem a cabeça no teto e estruturas tortuosas, tudo isso colaborando para a concepção de uma atmosfera kafkiana.

Na trama, um charlatão mostra a sua atração em uma feira: Cesare, o sonambulista. Trata-se de um homem que dormiu por mais de 23 anos e que tem o dom de prever o futuro. Um homem na plateia pergunta: “Até quando viverei?” e o sonambulista responde “Até o amanhecer.” Isso se concretiza e as suspeitas recaem sobre Cesare, que é perseguido pela população nervosa. É interessante perceber esse relato nos é contado em um flashback.

O diretor Robert Wiene faz uso de recursos narrativos criativos e ainda nos oferece um final ambíguo. Como não podia deixar de ser, o filme influenciou de alguma maneira trabalhos posteriores como Frankenstein, Drácula e até Psicose.

O Gabinete do Dr. Caligari é uma mistura de arte e entretenimento que funciona de maneira exemplar graças ao visual peculiar, a montagem dinâmica e as atuações marcantes de Werner Krauss e Conrad Veidt. Simplesmente, uma obra-prima do cinema mudo.
9/10

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