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O bullying é um tema muito usado no cinema atual, mas provavelmente ninguém o abordou de uma maneira tão forte e dolorosa como o diretor Michel Franco neste Depois de Lúcia. Desde as primeiras cenas o diretor se mostra um entusiasta das elipses, das longas tomadas e dos silêncios inquietantes. Há quem reclame do ritmo um tanto arrastado, mas essa escolha se revela essencial para a concepção da atmosfera depressiva que permeia todo o filme. Não tinha como ser diferente, pois além da perda da mãe e a pouca comunicação com o pai, a garota Alejandra se torna vítima de crueldades infinitas após ter um vídeo seu divulgado na internet. Alejandra passa por uma das maiores perseguições que já vi no cinema. É algo incômodo de se assistir, mas se pensarmos na mentalidade atual dos jovens é algo necessário. Tudo bem que soam exagerados o fato de ninguém contrariar os bullies e a total falta de conhecimento dos professores em relação aos atos cometidos, porém a mensagem que extraímos da situação é das mais relevantes. O que fica evidente é que a ausência de comunicação entre Alejandra e o pai é um fator decisivo para levar tudo até as proporções trágicas que vemos no ato final. Existe amor entre pai e filha, um se preocupa com o outro, só que algo os impede de expor seus problemas de maneira honesta. Tal qual Haneke, Franco não se importa muito com os nossos sentimentos e nos tortura ao longo de 90 minutos. A última cena aparenta entregar um senso de justiça, mas para mim soa como um comentário dos mais pessimistas de que o mundo não tem mais jeito. Deu para ver que Depois de Lúcia não é uma experiência agradável… mais do que isso, é um grande filme.
8/10