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Carlos Gutiérrez está prestes a completar 42 anos de idade. É divorciado, tem pouco contato com a filha Lisa Marie, trabalha em uma fábrica e passa horas sozinho em sua casa em um bairro de classe média baixa de Buenos Aires, comendo sanduíches de banana com manteiga de amendoim e ouvindo Elvis. A única coisa que parece injetar ânimo em sua melancólica existência é quando faz covers de Elvis Presley em casas de shows, bares e até asilos. É muito mais do que um hobby. Para ele, ser Elvis é a sua razão de viver. Em certa cena do filme ele diz que Deus lhe deu a voz do rei do rock, bastando apenas aceitá-la. Aos poucos percebemos o tamanho da obsessão de Gutiérrez pelo ídolo e começamos a temer o plano que ele deseja por em prática. Um acidente de carro faz com que a filha vá morar com ele por algumas semanas. Pela primeira vez em muito tempo os dois tem uma verdadeira conexão entre pai e filha. Será que isso é o bastante para fazê-lo desistir do tal plano? O ato final pode surpreender e causar estranhamento em muitos, mas com uma boa dose de atenção é possível descobrir pistas sobre ele ao longo de todo o filme. Mesmo com uma atmosfera triste, O Último Elvis reserva alguns momentos divertidos e muitos números musicas de extrema beleza, em que o ator estreante John McInerny (cover de Elvis na vida real) nos encanta com sua voz, com direito a versões arrebatadoras de Always on my mindUnchained Melody e I’m so lonesome I could cry. Mais um grande acerto do cinema argentino!
8/10