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Em Promised Land o diretor Gus Van Sant foge bastante do estilo que marcou alguns de seus trabalhos anteriores, como Gerry, Last Days, Paranoid Park e Elefante. Não temos aqui aquelas cenas demoradas em que a câmera filma personagens andando ou fica alguns minutos estática mostrando a natureza. Dificilmente alguém vai dizer que Promised Land é entediante. Trata-se de uma história bem contada, com ótimas participações de Matt Damon, Frances McDormand e John Krasinski (do fantástico The Office). Só tem um problema: o desfecho totalmente inverossímil dadas as atitudes e convicções do personagem principal. E não é um deslize pequeno, fácil de ser perdoado. É algo que incomoda, pois temos a impressão que os roteiristas – os próprios Matt Damon e John Krasinski – pensaram que nós aceitaríamos facilmente as escolhas que fizeram.

Temos aqui Steve (Damon) e Sue (McDormand), dois funcionários de uma grande companhia de gás natural que tentam convencer habitantes de uma cidade rural dos benefícios de terem suas terras arrendadas. É muito interessante ver as estratégias que eles usam para conseguir as terras, com promessas de um futuro promissor para a região, de uma educação melhor dos filhos e também com subornos, chantagens e assim por diante.

Alguns se convencem, outros não. A tarefa de Steve e Sue torna-se mais difícil quando um ambientalista aparece e informa a população sobre os malefícios que a técnica pode trazer ao solo da região e, consequentemente, à vida de todos.

Pena que as coisas boas de Promised Land são jogadas para escanteio nos quinze minutos finais e aí começamos a pensar em outras irregularidades do filme, como um romance meia-boca, uma reviravolta relativamente previsível e personagens que são apresentados e esquecidos.

É… no final das contas era melhor o Gus Van Sant ter investido no estilo artístico de Paranoid Park e Elefante.
6/10