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A Fuga possui vários aspectos que poderiam fazer dele um grande filme: elenco de qualidade, personagens interessantes que em sua maioria fogem da caricatura, um diretor buscando afirmação nos Estados Unidos (o austríaco Stefan Ruzowitzky chamou a atenção com o bom Os Falsários) e uma ambientação que aumenta ainda mais o clima tenso da trama.
Tudo começa com um casal de irmãos fugindo após o roubo de um cassino. O carro em que estavam bate em um animal na estrada coberta de neve, saindo da pista. É um acidente filmado de maneira bem realista e angustiante. Quando um policial se aproxima para ajudá-los, Addison (Eric Bana) lhe recebe com diversos tiros à queima-roupa. Os irmãos decidem se separar, com o plano de se encontrarem em um futuro próximo na fronteira com o Canadá.
Aos poucos podemos conhecer cada um deles. Addison se mostra um ser humano dos mais complexos. Se ele é capaz de tratar cordialmente a dona da casa que invade e de proteger crianças de um padastro abusador, é capaz também de tirar a vida de qualquer um que atrapalhe seus intentos, sem remorso algum. Já Liza (Olivia Wilde) conhece Jay, um jovem que acaba de sair da cadeia, e o seduz com segunda intenções. Jay também possui sua história, que envolve uma medalha de prata nas olimpíadas de Pequim, um relacionamento difícil com o pai e uma necessidade de se aproximar de alguém.
Aliás, o que não faltam aqui são esses relacionamentos difíceis em família. Pena que é muito pouco tempo para desenvolvê-los de maneira adequada. Com apenas 90 minutos não havia necessidade de nos apresentar a tantos personagens. É inevitável sentirmos que tiveram que apressar as coisas.
Mesmo com algumas boas cenas de perseguição na neve e um autêntico ar de thriller que se somam aos bons personagens, o fato é que a curta duração e o final pouco inspirado fazem de A Fuga um daqueles filmes para ver e já começar a esquecer.
7/10