Harakiri-cartaz

Aos meus quinze anos de idade conheci Akira Kurosawa e naturalmente me encantei. Durante anos vi e revi a sua extensa filmografia. Ele é o um dos meus diretores preferidos, não sem motivos. O problema é que por um bom tempo achei que o cinema japonês se resumia “apenas” ao mestre Kurosawa. Aos poucos, fui descobrindo o quão rico o cinema nipônico é. Recentemente, meu alvo foi Masaki Kobayashi e o seu magistral Harakiri.

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Tudo começa com um samurai pedindo abrigo na casa de um lorde para poder executar o harakiri (abrir a própria barriga). Ele quer morrer de forma honrada, mas antes que isso seja feito o lorde local lhe conta a história de um outro samurai que havia feito o mesmo pedido pouco tempo antes.

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Boa parte do filme nos é mostrado em flashback. É impressionante o grande envolvimento que temos com a história. A cada instante somos surpreendidos por acontecimentos inesperados e situações violentas, tanto no campo físico como no moral.
O senhor local desconfia do samurai pois o tal ronin que alegava querer realizar o harakiri tinha como verdadeiro objetivo ser alvo de pena do clã e quem sabe ganhar algum dinheiro com isso. Como sabemos, uma das virtudes mais valorizadas pelos samurais era a honra. Tal tipo de atitude é inadmissível e ele pagou caro por isso, tendo que utilizar espadas de bambu para consumar o ato.

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Tecnicamente primoroso, Harakiri é poesia visual do começo ao fim. O preto e branco deixa tudo mais belo e elegante. O filme acerta tanto nos momentos em que o diálogo é o destaque, como quando a ação com espadas toma conta. Acho que não é exagero chamá-lo de obra-prima.
9/10

Confiram também o ótimo texto do mulhollandcinelog