CLOUD ATLAS
Para o bem ou para o mal, devemos reconhecer a coragem do trio Tom Tykwer, Andy Wachowski e Lana Wachowski ao levar para a telona um livro muito difícil de ser adaptado. Ambicioso é a primeira palavra que me veio a mente enquanto assistia a Cloud Atlas. Talvez não se trate de uma obra-prima, mas ele está longe de ser um filme qualquer.

A ideia principal é relacionar os acontecimentos e os personagens de seis épocas diferentes, algo que vai do ano 1849 até 2346. São seis histórias que de um jeito ou de outro se conectam e é estimulante reconhecer essas ligações. Em um primeiro momento uma certa confusão pode tomar conta, mas aos poucos as coisas vão clareando em nossa mente e aí a tendência é tudo ficar cada vez mais interessante.

É natural que algumas agradem mais. A minha preferida é a que se passa em 1849 e mostra um advogado ajudando um escravo clandestino, mas o fato é que todas possuem suas qualidades. Mesmo a mais fraca delas, que para mim é aquela na Seul futurística, possui ótimas cenas de ação e um estilo que faz lembrar Blade Runner.

O humor também não fica de lado, principalmente nas sequências que se passam na época atual, em que Jim Broadbent e um insano Tom Hanks se destacam.

Os mesmo atores interpretam diversos personagens, geralmente completamente mudados por uma pesada e eficiente maquiagem. Chama bastante a atenção o arco narrativo dos personagens de Tom Hanks e de Jim Sturgess ao longo dos séculos. Há qualquer coisa de belo em acompanhar suas reencarnações(?) enfrentando os mesmos dilemas e recebendo oportunidades de fazer tudo de uma maneira diferente.

É o tipo de filme que pede mais de uma ida ao cinema e não só para descobrir coisas novas, mas também para absorver todo o impacto visual e emocional que ele oferece. Agora, se você se sentiu cansado ao longo desses 170 minutos é melhor pensar duas vezes antes de reviver a experiência.
8/10