Crítica: O Impossível (2012)

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O Impossível é a luta pela sobrevivência de uma família em meio ao tsunami que atingiu a costa asiática em 2004. Cerca de 230 mil pessoas perderam a vida neste que foi um dos piores desastres naturais de todos os tempos. A ideia do diretor Juan Antonio Bayona é mostrar a violência deste fenômeno e também nos emocionar com a história real da família Belon, aqui representada por Naomi Watts e Ewan McGregor como o casal e Tom Holland, Samuel Joslin e Oaklee Pendergast como as crianças. De maneira surpreendente, o diretor acerta em cheio em ambos os casos.

Durante alguns minutos somos apresentados de maneira eficiente para esta família, que claramente possui membros que realmente se importam um com os outros. O dia fatídico parece mais um tranquilo dia de férias neste verdadeiro paraíso, até que um repentino vento e um som que aumenta aos poucos anunciam que há algo de errado. A força descomunal do tsunami é captada de maneira perturbadora. Além do poder das ondas, existem os mais diversos destroços no caminho dos desesperados turistas que lá estão.  A situação nos hipnotiza. Tudo é mostrado de um jeito dolorosamente realista. Certos detalhes colaboram para transmitir todo esse caos, como rápidas cenas com animais mortos, carros que se transformam em verdadeiras armas, troncos de árvore que podem significar tanto a salvação como mais um perigo e assim por diante. Bayona não tem medo de nos chocar e investe numa abordagem visceral do desastre. Há uma cena relativamente sutil que me incomodou bastante, me refiro ao bebê sozinho em um carro sendo levado pelas ondas. Triste, mas real.

Depois que as coisas se acalmam, Maria e Lucas vão tentar sobreviver em meio ao rastro de destruição deixado pelo tsunami. Henry quer ir em busca da esposa e do filho mais velho, mas não sem antes deixar os filhos mais novos em segurança. Já adianto que são muitas as cenas que nos emocionam e de maneira autêntica. Não dá para dizer que o O Impossivel manipula nossos sentimentos, afinal como acompanhar as consequências de um desastre como esse com frieza? Não dá. Filmes desse tipo sempre nos fazem pensar no que faríamos se estivéssemos lá, mas a verdade é que o sofrimento é tanto que é melhor nem pensar nisso.

Naomi Watts e o garoto Tom Holland oferecem atuações memoráveis, mas Ewan McGregor também não pode ser esquecido. É dele a cena que considero a mais emocional de todo o filme: a ligação que ele faz para o sogro. Não ir às lagrimas nesse momento é tarefa complicada.

Bayona elevou o nível dos  filmes catástrofe de uma forma absurda. Uma grande e inesquecível surpresa do cinema em 2012.
8/10

3 comentários em “Crítica: O Impossível (2012)”

  1. Sim, a manipulação das emoções é válida e muito bem feita. As atuações também são incríveis, todas, não apenas do casal, como dos três filhos e até do outro, o Daniel. O que me incomodou no filme foram alguns detalhes da parte final, mas ainda assim, uma boa obra.

  2. Boa palavra pra descrever a montagem do desastre: hipnotizante. Um grande filme, de grandes atuações e ótima direção. Um dos melhores de 2012 para mim. Acho ele manipulativo sim, tem trilha em excesso, tem desencontros demais, e tal – coisas típicas de filmes feitos pra emocionar – mas a vantagem tá justamente em como o Bayona usa esses elementos, que no fim das contas são indispensáveis. O cara usa nas horas certas, não é pedante. Poderia ter sido, mas ainda bem, não foi.
    P.S. Essa parte do McGregor eu estava em lágrimas copiosas hahaha
    Um abraço!

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