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Nove anos após o encerramento da trilogia O Senhor dos Anéis, o diretor Peter Jackson nos convida para mais um passeio pela Terra Média, dessa vez para acompanhar os feitos do hobbit Bilbo Bolseiro e de um grupo de anões comandado por Thorin Escudo de Carvalho.

Havia dúvidas em relação a este primeiro capítulo da trilogia, uma vez que o livro O Hobbit poderia tranquilamente ser adaptado em dois filmes, mas o fato é que Uma Jornada Inesperada é um grande acerto. As quase três horas de duração certamente vão agradar aos fãs de Tolkien e também boa parte do público em geral. Trata-se de entretenimento de primeira grandeza, que vale o preço da gasolina, do ingresso para a sessão em 3D e da pipoca.

Mesmo que a história de O Hobbit seja menos épica do que a de O Senhor dos Anéis, não quer dizer que estamos diante de uma experiência menos interessante. Um flashback nos mostra o ataque do dragão Smaug à fortaleza de Erebor, local que representava toda a glória dos anões. Alguns anos depois, os anões que lá viveram resolvem montar uma comitiva para expulsar o dragão e recuperar a cidade e o tesouro. Para isso, vão contar com a  a companhia do mago Gandalf e de um ajudante inesperado: Bilbo Bolseiro .

Muitos tem reclamando do ritmo dos primeiros 45 minutos, alguns até os considerando arrastados e cansativos, algo de que discordo. É claro que comparando com o resto esse início é mais lento, porém ele é essencial para nos apresentar aos anões e ao reticente Bilbo. Essa introdução reserva ótimas risadas graças aos folgados e espaçosos anões e ao preocupado e avesso a aventuras Bilbo. Sobra um tempo também para uma música cheia de emoção cantada pelos anões.

Para muitos, o filme realmente começa quando eles saem do condado. A partir daí temos uma sucessão de cenas de tirar o fôlego, com efeitos especiais de primeira linha tornando tudo mais empolgante.

Como uma boa fantasia, O Hobbit: Uma Jornada Inesperada bota os heróis para enfrentar os mais diversos seres, como os trolls, que são tanto perigosos como bobos, os orcs, globins, gigantes de pedra e outros. Não vemos muito de Smaug, só sua sombra e sua cauda, uma escolha acertada, afinal aumentam as expectativas para o próximo capítulo.

É claro que o momento chave é o encontro de Bilbo e Gollum. É impressionante constatar como a tecnologia que dá vida a Gollum evoluiu, fazendo do personagem um ser muito expressivo, principalmente graças aos seus grandes olhos azuis. Claro, não dá para não elogiar também o ator Andy Serkis, que virou especialista quando o assunto é motion capture. Essa sequência é tudo o que os fãs de Tolkien poderiam esperar.

Apesar do ar de aventura descompromissada de O Hobbit, muitas situações colocam os heróis em perigo iminente e há espaço até para algumas cenas fortes, inclusive com cabeças sendo decepadas. Isso sem falar na reunião com Elrond, Galadriel, Gandalf e Saruman e nos rumores de um perigo vindo do leste. É interessante notar que Saruman insiste que tudo não passa de um exagero, o que é um sinal de que ele já estava mudando de lado.

Se tenho uma crítica é com o mago Radagast. Todas as cenas com ele poderiam ser facilmente excluídas, pois não adicionam nada a trama e são irritantes.

Em termos de atuações, Ian McKellen faz um bom trabalho, mas não se destaca tanto como em A Sociedade do Anel. Martin Freeman confere uma certa vulnerabilidade a Bilbo, algo essencial para esse inicio da aventura. O destaque é mesmo Richard Armitage, que transmite todo o orgulho e a força do anão Thorin Escudo de Carvalho.

Enfim, temos aqui uma excelente mistura de fantasia e aventura, com bastante humor e cenas de ação conduzidas com perfeição. Por mais que muitos duvidassem (e eu me incluo aí), Peter Jackson iniciou a trilogia da melhor maneira possível, inclusive homenageando os fãs com citações do livro e com referências aos filmes anteriores. O Hobbit pode não ser tão ambicioso como O Senhor dos Anéis, mas ele tem o potencial de nos fascinar na mesma medida.
8/10