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Muitas trilogias do cinema encontram no capítulo final o seu calcanhar de aquiles. O Poderoso Chefão, X-Men, O Homem Aranha, Star Wars (VI) e Mad Max são alguns exemplos. The Dark Knight Rises funciona razoavelmente bem como encerramento para o ambicioso projeto de Cristopher Nolan, mas comparando com Batman Begins e, principalmente, com The Dark Knight, não há como não se decepcionar.

Até compreendo (com algum esforço) o entusiasmo dos fãs que o colocam no mesmo patamar dos filmes anteriores, mas a verdade é que decidi encará-lo com um olhar mais rigoroso e menos condescendente.

Um dos grandes problemas de The Dark Knight Rises é a sua duração. Quase três horas é insalubre. Li críticas pedindo meia a hora a mais de filme, algo que certamente me levaria a exaustão. Ao invés de adicionar uma enxurrada de personagens novos e desnecessários, por que não investir naqueles que nós realmente nos importamos, como Alfred e o comissário Gordon? Não vou negar que o jovem policial James Blake é um personagem interessante e que permite uma fácil identificação com o público, mas e o resto? A Mulher-Gato parece não adicionar muita coisa para trama e mesmo após quase três horas não conseguimos compreender com clareza suas atitudes. E o que falar de Miranda Tate e seu romance protocolar com Bruce Wayne, além daquela reviravolta forçada? Chega um momento que a confusão toma conta e não conseguimos mais entender as intenções de todos.

Tom Hardy faz um bom trabalho na composição de Bane, com aquela voz bizarra e perturbadora e o olhar expressivo, pena que o roteiro não o ajuda muito. Bane é um vilão perigoso graças a sua força bruta e o seu pensamento rápido. Não há dúvidas de que ele é uma ameaça tanto para Gotham como para o Batman, mas ele é extremamente unidimensional e isso o deixa previsível e sem graça.

Quanto a história… bom, os objetivos de Bane são demasiadamente simplistas e para mim soam apenas como uma desculpa para Nolan investir nas cenas de ação. O comentário social aqui é muito menos eficiente daquele que vimos em The Dark Knight, aliás, nem se compara. Quanto as cenas de ação não há muito o que comentar. Nolan se mostra novamente competente ao explorar os cenários e entregar empolgantes cenas de perseguição, inclusive até com o Batwing.

No final das contas, falta emoção. Parece-me que Nolan queria por toda a lei superar o capítulo anterior e se perdeu pelo caminho. Há algo de errado em um filme que chega no fim com uma cena altruísta, teoricamente feita para emocionar o público, mas que na verdade é artificial e não causa impacto dramático nenhum.

Ao contrário do que ocorreu com Batman Begins e The Dark Knight, não tenho a menor vontade de revê-lo. É, para mim The Dark Knight Rises é um dos filmes mais superestimados do ano.
6/10

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