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Em Filhos da Esperança, o diretor Alfonso Cuarón conseguiu criar uma ficção-científica cuja história é extremamente criativa e proporciona reflexões, além de possuir uma parte técnica impecável, com diversas cenas que são puro deleite para os nossos olhos.

O ano é 2027 e a cidade em que tudo se passa é Londres, afinal não existem civilizações organizadas em outros países. Apesar de Londres se manter de pé, ela está longe de ser um local seguro. As pessoas convivem com atentados terroristas diários, poluição e uma melancólica sensação de fim de mundo, já que as mulheres de toda a Terra sofrem de infertilidade. A pessoa mais nova do planeta é Diego de Buenos Aires de 18 anos. Quer dizer, era Diego, pois ele foi assassinado após não querer dar um autógrafo. Isso aumenta ainda mais a tristeza de todos. Theo (Clive Owen) parece não ser abalar muito com a morte do garoto, tanto que decide passar um tempo com um amigo de longa data.

O que Theo não poderia imaginar é que uma organização comandada pela sua ex-esposa encontrou uma jovem grávida, algo que nas circunstâncias atuais é um milagre. A organização precisa da ajuda de Theo, que aos poucos vai assumindo a responsabilidade de não deixar nada acontecer com a garota.

É impossível falar de Filhos da Esperança sem mencionar as três longas cenas sem cortes. A técnica ajuda a aumentar o impacto das situações e basicamente nos colocam lá dentro e claro, é uma incrível demonstração de ambição e competência do diretor Alfonso Cuarón e também do diretor de fotografia, Emmanuel Lubezki.
Mas o filme não seria tudo isso se não investisse na história e em seus personagens principais, algo que é feito bastante bem, principalmente graças ao arco narrativo de Theo, às críticas sociais (as vezes bem humoradas) e ao desfecho em aberto.

Ele foi indicado aos Oscar de fotografia, edição e roteiro adaptado em 2007, mas não levou nenhum. De qualquer forma, tornou-se um clássico instantâneo.
9/10

* este foi o post de número 500 do cultura intratecal!
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