2001-odisseia-no-espaço-cartaz

Título original: 2001: A Space Odyssey
Ano: 1968
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Stanley Kubrick, Arthur C. Clarke

2001-uma-odisseia-no-espaço

Ao longo dos anos muitos já tentaram explicar 2001 – Uma Odisseia no Espaço, mas não devemos nos esquecer dessas importantes palavras de Arthur C. Clarke: “Se você entender 2001 por inteiro, nós falhamos. Queremos levantar mais questões do que respondê-las”. Portanto, podemos nos sentir livres para interpretar esta verdadeira obra-prima do cinema.

2001-uma-odisseia-no-espaço-2

Antes de comentar o filme propriamente dito, vale a pena dizer que na época do seu lançamento ele foi bem recebido pelo público hippie e mal recebido pela crítica. Com o passar dos anos, os críticos mudaram de opinião em relação a 2001 e ele foi ganhando cada vez mais fervorosos admiradores.  Como um exemplo desses fãs cito o diretor John Boorman (Amargo Pesadelo), que afirmou que 2001 – Uma Odisseia no Espaço mudou a vida dele e também sua maneira de fazer cinema.

2001-uma-odisseia-no-espaço-3

Quem acompanha o Cultura Intratecal sabe que Stanley Kubrick é o meu diretor favorito. Kubrick realizou 13 filmes ao longo da carreira e podemos dizer que pelo menos 7 são obras-primas. Apesar de cada um deles nos oferecer muito tanto em termos técnicos como em suas histórias, nenhum consegue atingir o nível de 2001 – Uma Odisseia no Espaço, pelo menos para mim e para muitos outros fãs do diretor.

2001-uma-odisseia-no-espaço-4

2001 – Uma Odisseia no Espaço esbanja qualidade em termos técnicos e é extremamente ambicioso no que se propõe a discutir. A maravilhosa trilha sonora de Danúbio Azul embala o ballet tecnológico de Stanley Kubrick. É um filme sobre a evolução da raça humana e sobre os rumos que ela pode vir a tomar. Em pouco mais de duas horas ele discute a vida extra-terrestre, a utilização de ferramentas para sobrevivência, a inteligência artificial e o maior tabu do homem: sua própria morte. Uma experiência transcendental, antropológica e filosófica que fascina do começo ao fim.

2001-uma-odisseia-no-espaço-5

O monólito observa e influencia o progresso do homem. O primeiro monólito aparece para nossos não muito simpáticos ancestrais há milhões de anos, que logo descobrem o uso da ferramenta. Numa das cenas mais geniais do cinema, vemos o osso jogado pelo símio se transformar em um satélite no espaço. O segundo monólito é encontrado na lua. Nele, existe um sinal de Júpiter e a confirmação de vida extra-terrestre. Em alguns anos, os seres humanos conseguem desenvolver a tecnologia para fazer a viagem até Júpiter. O terceiro monólito representa a maior dificuldade de interpretação do filme, mas podemos dizer que a importante questão aqui levantada é sobre qual é o próximo passo após a morte. O starchild no fim pode representar um anjo, o renascimento do homem ou qualquer outra coisa que foge da minha capacidade de abstração.

2001-space-3

Como não se impressionar com tantas discussões levantadas por 2001? Como não se encantar com uma sucessão de imagens e sons sem precedentes no cinema? Ao que tudo indica, 2001 – Uma Odisseia no Espaço jamais vai deixar de ser admirado.
10/10

– B.K.