Ao que tudo indica, 2046 é melhor aproveitado por aqueles que já conhecem o cinema do diretor chinês Kar Wai Wong e que, de preferência, assistiram a Dias Selvagens (1990) e Amor à Flor da Pele (2000), pois os três formam uma trilogia. Não foi o meu caso. É inevitável uma sensação de deslocamento quando acompanhamos as primeiras cenas de 2046. Pedimos por um pouco mais de explicações, algo que não acontece, mas isso não significa que a experiência não seja proveitosa, já que em termos técnicos trata-se de uma obra exemplar e que ainda conta com um bom elenco, com grande destaque para Ziyi Zhang.
Chow Mo-wan, um jornalista, está escrevendo uma ficção-científica chamada 2046 enquanto fica hospedado em um hotel importante para ele. Durante sua estadia, passa a se relacionar com algumas vizinhas de quarto.
O sentimento evocado com mais força em 2046 é a melancolia. As histórias de amor aqui representadas possuem um sabor agridoce. Em nenhum momento acreditamos que elas vão acabar bem, algo que se deve principalmente à personalidade distante de Chow Mo-wan. Temos pistas de que ele possui um passado não muito feliz em termos de relacionamentos, mas muito pouco é explicado.
Apesar da falta de um roteiro com mais detalhes, quase tudo é compensado pelo visual refinado e pela trilha sonora que adiciona emoção, principalmente quando investe em uma ópera capaz de causar arrepios. Infelizmente, a primeira coisa que me veio a cabeça ao término do filme é de que faltou algo. Não sei se eu esperava um desfecho mais redondo ou se eu queria conhecer melhor os personagens e suas motivações, mas o fato é que não foi possível evitar uma certa decepção.
7/10