Planeta dos Macacos é um verdadeiro marco da ficção científica. Fez tanto sucesso que originou quatro sequências, um seriado de TV e remakes. Não é difícil entender os motivos de tanta admiração. Trata-se de um filme dono de um roteiro criativo, que mexe com o imaginário do público e que ganha vida de maneira competente nas mãos do diretor Franklin J. Schaffner.
Tudo começa com quatro astronautas americanos que viajam na velocidade da luz, avançando cerca de 2000 anos no tempo e caindo em um planeta desconhecido. As primeiras cenas mostram os três astronautas sobreviventes explorando este planeta que parece não passar de um grande deserto sem vida. Logo, eles dão de cara com seres humanos que não falam e que agem como animais irracionais. Quando ainda tentam entender a situação, se vêem perseguidos por macacos evoluídos. Sim, eles estão em um planeta em que os macacos estão no topo da escala evolutiva. Taylor (Charton Heston) é capturado, mas suas habilidades chamam a atenção dos chimpanzés Zira e Cornelius.
Ver macacos como os seres pensantes e os homens como meros animais imundos, que não servem para muita coisa, no máximo como cobaias de experimentos científicos, nos causa um estranhamento intrigante. Durante todo o filme ficamos pensando sobre como isso foi possível e imaginando que lugar é esse. Algumas respostas virão e quase todas de maneira surpreendente, principalmente no final icônico.
Planeta dos Macacos tem um ritmo ágil, boas doses de ação, alegorias sociais e críticas em relação a natureza beligerante do ser humano. O personagem Zaius é um dos mais emblemáticos. Ele é ao mesmo tempo o ministro da ciência e defensor da fé, algo um tanto paradoxal. Ele quer a todo custo evitar que Cornelius descubra a verdade sobre os símios, sempre ameaçando o chimpanzé de uma acusação de heresia. Para Zaius a única realidade está nas escrituras sagradas, não admitindo outras possibilidades.
Daquele tipo de filme que vale a pena ver e rever.
8/10