Apesar de se passar em um universo próximo de Alien e de solucionar alguns mistérios referentes a série iniciada pelo próprio Ridley Scott em 1979, Prometheus não deve ser encarado como uma prequel. Trata-se de um filme com vida própria e que funciona até para quem nunca teve contato com Alien e suas continuações.
Aqui temos uma história das mais ambiciosas. No ano de 2089 um grupo de cientistas faz uma viagem até um planeta distante em busca de respostas para mistérios que assombram e estimulam a humanidade desde os primórdios: quem somos, para onde vamos, quem nos criou e por quê?
No momento em que os cientistas chegam ao planeta, a atmosfera de mistério e tensão é construída sem pressa e com muita competência por Ridley Scott.  A tecnologia 3D nos ajuda muito no processo de imersão naquele mundo, que conta com cenários vastos e sombrios, ao mesmo tempo belos e assustadores.
Há uma mistura de vários elementos, como sci-fi, suspense, ação (de qualidade), terror, romance (pouco), até gore (seres ariscos adentrando em outros pela via oral e assim por diante). Seria mais interessante se ele investisse mais nos pontos positivos e perdesse menos tempo nos aspectos que não funcionam tão bem. Damon Lindelof, um dos criadores de Lost, aparentemente tentou transportar para o cinema elementos de roteiro que dão certo em seriados, como reviravoltas bombásticas que marcam o final de alguns episódios. Aqui as reviravoltas soam um tanto absurdas e fora de propósito, como na revelação de que certa personagem é filha de outra e etc. O que também desagrada é que Prometheus parece não fazer tanta questão de responder as indagações iniciais. É claro que não dá para exigir respostas que satisfaçam a todos, mas por que não mostrar ousadia e inteligência com algumas reflexões mais aprofundadas de cunho científico e filosófico?
De qualquer forma, mesmo com falhas, o filme é ótimo. Vale e muito por nos fazer pensar sobre a humanidade como espécie, além de ser uma experiência visual que dificilmente será esquecida tão cedo. São muitas as cenas grandiosas, em que os efeitos especiais empolgam e ainda servem aos propósitos do roteiro. Noomi Rapace, que inicialmente parece insegura como a personagem principal, demonstra uma intensidade impressionante a partir de uma sequência que envolve uma cirurgia de emergência. Essa cena pode causar um certo desconforto nos estômagos menos preparados, mas não dá para negar que é um dos melhores momentos do filme. Isso sem falar no ótimo personagem David (Michael Fassbender), um robô fisicamente igual aos humanos, fã de Lawrence da Arabia e que parece ter objetivos distintos dos demais tripulantes a bordo.
Chego a estranhar algumas críticas bem negativas que tenho lido. Algo me diz que em um futuro não tão distante Prometheus vai ser valorizado como merece.
8/10