A cada filme de Billy Wilder que assisto mais fico impressionado com a capacidade do diretor em transitar por diversos gêneros, sempre mantendo um alto padrão de qualidade. Pacto de Sangue é um film-noir que possui todas as características que fazem desse estilo uma experiência audiovisual tão interessante: a fotografia em preto e branco, o uso de sombras, a narração em off, a história contada em flashback, a femme-fatale e um enrendo contendo um plano de assassinato muito bem elaborado e perigoso.
Walter Neff, um vendedor de seguros, entra em contato com Phyllis Dietrichson para fechar um acordo aparentemente inofensivo, mas ela faz uso da sedução e desperta a ganância em Walter para planejar a morte do marido de forma que pareça um acidente, tendo como objetivo uma gorda compensação monetária.
O plano é colocado em prática de maneira ousada e envolve um acidente em um trem. A tensão cresce a cada passo dado pelo protagonista. Juntamente com ele, temos a sensação de que nada dará errado, afinal todas as arestas parecem ter sido aparadas, mesmo com alguns percalços. Pura ilusão. Um colega de trabalho de Walter recebe a missão de investigar toda essa história e aí o sentido de urgência se estabelece. O cerco se fecha de maneira preocupante e acompanhamos o desenrolar dos fatos com o coração palpitando. Trata-se de uma história refinada e cheia de detalhes inteligentes, que ainda se beneficia de uma direção muito envolvente de Billy Wilder e um desfecho impactante. Vai continuar envelhecendo muito bem.
9/10