Poucas ficções científicas conseguiram combinar tão bem efeitos especiais de qualidade com um roteiro inteligente da maneira que Matrix conseguiu. O filme foi uma verdadeira revolução em termos técnicos com a criação do Bullet Time, algo que inspirou diversos filmes posteriores e até jogos eletrônicos. Admirar o visual de Matrix e suas cenas de ação ainda empolga. É uma mistura de câmera lenta, muitos tiros, sons de munição caindo no chão, cortes rápidos, cacos de vidros se espalhando por toda a tela e movimentos criativos dos personagens. Tudo isso produz sequências cheias de adrenalina e que são puro deleite para os olhos.
A premissa do filme é daquelas de animar qualquer fã de ficção científica. Neo, um trabalhador comum de dia e um hacker à noite, decide tomar a pílula vermelha para descobrir o que é a Matrix e nós vamos com ele. Todo o mundo em volta de Neo na verdade não passa de um programa de computador. O mundo real  dos humanos nesse futuro sombrio se resume a ficar em um tanque cheio de água servindo de bateria para os robôs, que estão vencendo de longe a guerra entre humanos e máquinas. Mas a resistência existe e a esperança dos homens está sobre Neo, o provável escolhido.
As referências de Matrix transitam entre Sócrates e o seu “conhece a ti mesmo”, Platão e o mito da caverna, Alice no País das Maravilhas, religião e muito mais. Os irmãos Wachowski nos entregam esse roteiro de um jeito que está longe de ser confuso, mas que requer um pouco mais de atenção. O “esforço” vale cada minuto. O equilíbrio entre conteúdo e técnica é perfeito. Em um momento acompanhamos lutas de kung-fu muito bem coreografadas e em outro temos um personagem dizendo que “a ignorância é uma benção”, forçando o público a refletir sobre o significado dessa frase.
Para ser perfeito só faltou um final mais criativo, que estivesse a altura do que é visto antes. Não que seja ruim, mas a expectativa era tanta que um pouco de decepção foi inevitável.
9/10