Não, não sou torcedor do Bahia, mas o fato é que este documentário consegue atingir em cheio os sentimentos de qualquer apaixonado por futebol.

O filme nos apresenta a vários momentos importantes da História do Bahia, como o grande time dos anos 30, a conquista da Taça Brasil de 1959, o emocionante título brasileiro de 1989, um Ba-Vi histórico em 1994, a caída para as séries B e C, inclusive com o triste episódio das mortes na Fonte Nove e a redenção com a volta a série A em 2010.

Tudo é apresentado de maneira que reconhecemos de cara que este é um grande time, com uma grande torcida. O amor desses torcedores pelo clube é algo inexplicável, que às vezes beira até o altruísmo. Não deixa de ser uma inspiração ver uma torcida rezando antes de um jogo, mesmo para mim, que sou isento de crenças religiosas.

Todos acham que o seu time é aquele que tem a melhor torcida, isso é inevitável. Cada torcida tem algo especial, um diferencial que as fazem única. O documentário mostra muito bem as peculiaridades dessa torcida de respeito.

É fácil torcer para times que podem gastar 200 mil reais de salário para vários jogadores. Na verdade, eles estão cheio de dívidas, mas mesmo assim contratam quem eles querem. São times que vão lá e pegam os destaques dos outros, montam uma equipe acima da média e conquistam títulos. Flamengo, Corinthians, São Paulo, Fluminense, Grêmio, Inter, Cruzeiro… é esperado que esses times sejam campeões, não é?

Agora, pensem no Bahia sendo campeão brasileiro em 1988, no Coritiba em 1985, no Atlético Paranaense em 2001 e no Guarani em 78. São todas conquistas baseadas em muita luta, sofrimento, em jogadores certos na hora certa e em muito apoio da torcida. Ver a felicidade no rosto dos torcedores do Bahia quando do título de 1988 é algo emocionante.

Infelizmente, times que não são do eixo são pouco lembrados pela mídia nacional. Caramba, para o Bahia virar destaque na mídia tem que abrir um buraco no meio do estádio e algumas pessoas infelizmente morrerem. Para o Coritiba ser matéria do jornal nacional, ele tem que ser rebaixado e ter o gramado invadido por violentos pseudo-torcedores.

Por isso que Bahêa Minha Vida serve não só para os torcedores do tricolor baiano, mas para os torcedores de muitos outros times do Brasil e para aqueles que simplesmente amam o esporte.

O cineasta Márcio Cavalcante foi também muito feliz em retratar uma das histórias mais bonitas que já vi envolvendo o futebol: um homem contando que foi levado no seu primeiro jogo pelo pai e que, muitos jogos depois, levou o pai doente no último dele.

Essas histórias extrapolam o simples clubismo, assim como este filme, que para mim é o melhor trabalho já produzido sobre futebol.
9/10