Crítica: Stalker (1979)


Assim como fiz com os meus ídolos Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock, estou criando um perfil do Tarkovsky aqui no blog, que espero terminar até Fevereiro. Antes disso, resolvi fazer um comentário sobre o meu provável filme preferido do diretor: Stalker. Assisti a este filme pela primeira vez há uns 10 anos e confesso que não havia gostado muito. Acho que os meus 15 anos não me permitiam ter a paciência que ele exige. Some-se a isso o fato da minha bagagem cinematográfica ser bem pequena na época, algo que certamente dificultou a experiência.

Dez anos fazem diferença na vida de um cinéfilo! Não que eu tenha a capacidade de absorver tudo de filmes como os de Tarkovsky, mas pelo menos agora sei reconhecer o que é bom e posso dizer que Stalker é um dos grandes filmes que já assisti. Uma obra-prima com todo o merecimento.

Então, do que se trata? Temos aqui três personagens centrais: O professor, o escritor e o Stalker.  O Stalker é o responsável por transportar pessoas até um lugar proibido, chamado A Zona. Uma vez lá dentro, tudo é diferente do normal e além disso, existe um local específico, chamado O Quarto, que aparentemente realiza os desejos de quem merece. Ir até a Zona não é tarefa simples. A primeira parte do filme mostra os três tentando se aproximar da Zona, tendo que para isso fugir de policiais que primeiro atiram depois perguntam. Essa sequência inicial é excelente em passar uma sensação de perigo e mistério.

Tarkovsky faz da Zona um local com uma atmosfera opressiva, perigosa. Trata-se de uma área natural gigante, mas que possui alguns objetos que a tornam assustadora, como tanques enferrujados, seringas, símbolos religiosos na água e assim por diante. O diretor russo cria imagens de beleza extrema. É possível apertar o pause em qualquer cena que você terá uma verdadeira obra de arte. As longas tomadas e os movimentos de câmera peculiares de Tarkovsky nos passam a ideia de que estamos vendo um sonho. Somos hipnotizados por aquele mundo. Antes de tentar compreender o filme, devemos senti-lo, pois ele é nada mais nada menos do que poesia visual.

É claro que existem várias discussões aqui, algumas filosóficas. Primeiro, o que é A Zona? O resultado de um meteorito? Algo feito por seres alienígenas? E o que leva as pessoas a se arriscarem lá dentro? Autoconhecimento, desejo de aventura ou a simples ambição de ter seus desejos realizados?

As conversas dos personagens parecem sem propósito, mas na verdade estão cheias de significado. Um deles se pergunta sobre a arte, sobre a música, sobre o altruísmo e sobre a fé. Enfim, uma reflexão sobre o ser humano e sua relação com o mundo. Afinal, o que estamos fazendo aqui? Podem ser perguntas sem respostas, mas deve-se aplaudir um filme que faz esses questionamentos e nos deixa pensando sobre o assunto.

De qualquer forma, mais do que interpretar e tentar entender todo o simbolismo aqui presente, o que mais me impressiona em Stalker é a capacidade de Tarkovsky de criar imagens poderosas. É um filme relativamente lento, mas que não cansa. Para completar, temos aquele final em que um grande segredo é revelado de uma maneira simples e aí começa a trilha com Ludwig van Beethoven.

Arte…
10/10 

/os melhores filmes de ficção científica

3 comentários em “Crítica: Stalker (1979)”

  1. Resenha sensacional! SENSACIONAL! Já estava muito a fim de assistir aos filmes de Tarkovsky (o descobri por acaso passeado pelo Cineplayers.com), e esse e Solaris foram os que mais curte as sinopses. Hoje estou com 23 e uma certa bagagem tb. Espero poder curtir o filme tanto quanto vc. Estou baixando agora. Obrigado por me deixar na pilha. hahaha
    Um abraço.

  2. Inegável a beleza de fotografia e profundidade de câmera! Até a forma com que ele trabalha com as cores e tudo mais. Até as expressões faciais dos atores são bacanas.

    Mas eu me considero um cara inteligente, e preciso dizer: achei o filme chato. É tão parado que tem uma cena de 2 minutos em que os personagens ficam jogando pedrinhas na água, sem falar absolutamente nada! Pra mim se compara a um filme de Terrence Malick, cheio de imagens belíssimas, mas com muita filosofia e pouquissima história. E convenhamos, cinema é feito de HISTÓRIA!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s