Dono de um ritmo fluido, de uma interpretação memorável de Viola Davis e de alguns momentos tocantes, Histórias Cruzadas nos agrada em boa parte do tempo, mas se pararmos para pensar de maneira mais atenta sobre ele, veremos que o filme sofre de alguns sérios problemas, começando pela amenização de um tema sério: o racismo que imperava na sociedade norte americana nos anos 1960. Apesar de retratar bem algumas situações grotescas, como uma dona de casa que exige que sua empregada vá fazer as necessidades em um outro banheiro ou um homem pedindo de maneira mal educada um sanduíche, o roteiro tem dificuldades em nos transmitir a dor que ser tratado dessa maneira causa. Para piorar, os brancos ou são bonzinhos demais com suas empregadas ou são verdadeiros carrascos. Onde está o meio termo? Esse excesso de estereótipos atrapalha bastante, trazendo um ar de artificialidade difícil de ser esquecido. Outras coisas também prejudicam o resultado final, como as inúmeras tentativas forçadas de nos emocionar. Esse material poderia render um filme mais denso, mais sério, menos colorido, um filme que fosse um retrato honesto daquele triste período. Só espero que o Oscar não saia distribuindo prêmio a um filme que não merece tanto.
6/10