O diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn consegue criar algo raro em Drive: uma mistura de filme de ação com filme de arte. Para isso, ele se utiliza de vários recursos técnicos que tornam o trabalho estilizado, além de ter uma boa história para contar. O personagem principal, interpretado por Ryan Gosling, é um dublê de ação em Los Angeles, que também trabalha como motorista em assaltos. Após um roubo que dá errado, ele passa a ser perseguido por perigosos criminosos locais. Não espere se conectar com o motorista sem nome. Ele é um personagem introvertido, monossilábico e meticuloso. Todo o filme tem uma certa frieza que nos distancia emocionalmente do que acontece, mas nem por isso deixamos de nos impressionar com as atitudes de bom samaritano e violentas do dublê. A violência está presente de uma maneira bem sangrenta e visceral, pois apesar de alguns momentos leves como o passeio de carro no rio seco, trata-se de um material pesado. As cenas envolvendo perseguição de carro são muito bem produzidas e como são poucas, não tem como se tornarem enjoativas. O que agrada tanto em Drive é um certo ar mítico que ele tem, isso graças a sua fotografia, a trilha sonora envolvente e ao uso da câmera lenta. Drive tem tudo para virar um cult e para fazer parte da lista dos melhores de 2012 de muitos blogueiros brasileiros.
9/10