Assim como fez em Anticristo, Lars Von Trier dá início a Melancolia com uma longa sequência em câmera super lenta, que além de servir como uma assinatura, é algo esteticamente belo e agradável de se olhar, mesmo se tratando de uma catástrofe: a colisão de um planeta chamado Melancolia com a Terra.
Após o prólogo somos apresentados a Justine (Kirsten Dunst) em sua festa de casamento, festa essa que foi planejada sem qualquer tipo de restrição econômica por sua irmã Claire (Charlotte Gainsbourg). O que era para ser um momento de felicidade para Justine, não passa de uma provação dolorosa que ela deve enfrentar para agradar aos outros. Justine sofre de depressão e ser o centro das atenções de um evento social é demais para ela. Kirsten Dunst transmite com bastante verossimilhança alguns critérios diagnósticos da depressão, como o humor deprimido, a fadiga, a sonolência e a falta de apetite. Sempre considerei Kirsten Dunst uma boa atriz, mas agora ela ganhou o status de ótima em minha concepção, o que não tem exatamente o valor de um Oscar, confesso. 😉
Essa primeira parte é um pouco arrastada, mas é essencial para apresentar a personagem principal e para mostrar toda a tensão envolvendo os convidados ali presentes.
Na segunda parte, um pouco mais focada em Claire, o planeta Melancolia se aproxima da Terra. Uns falam que ele apenas irá passar por nossa órbita, outros acreditam que o impacto é questão de tempo. Nós já sabemos o que vai acontecer e não tem como não nos sentirmos extremamente tensos e apreensivos a cada segundo que passa.
Lars Von Trier cria um clima que faz jus ao nome do filme. O medo do fim do mundo toma conta. Alguns o enfrentam com tranquilidade, outros demonstrando desespero e covardia. É inevitável não se colocar no lugar deles e imaginar que atitude você iria tomar, mesmo sabendo que no final das contas não faria a menor diferença.
O argumento atraente, o requinte estético, a depressão representada com fidelidade e a sensação de desespero que Melancolia provoca são motivos mais do que suficientes para celebrá-lo. Considero Anticristo um mero exercício de estilo de Lars Von Trier, não mais do que uma tentativa exagerada de chocar através de simbolismos, mas este excepcional trabalho é digno de aplausos.
9/10