Mesmo que o episódio não tenha avançado muito nas principais tramas do seriado, ele pode ser considerado o melhor da atual temporada. Motivos para isso? O assustador arco narrativo de Shane, a maneira com o que o roteiro brinca com a linearidade, aumentando o impacto de uma situação crucial e a ótima rima da primeira com a última cena.

Enquanto Lori e Rick aguardam o retorno de Shane com os materiais médicos que podem ajudar Carl a sobreviver, eles discutem sobre a vantagem de se continuar vivo em um mundo destes. Lori chega ao ponto de desejar a morte do filho, assim ele não teria que viver todos os minutos de sua vida com medo, sempre fugindo e quase nunca com um rumo definido.

É uma questão a se pensar. Vale a pena investir tanto na sobrevivência em um mundo pós-apocaliptico como este? Que motivos eles tem para continuar respirando? A esperança de dias melhores seria uma resposta aceitável, mas parece que ela está em falta para quase todos ali. Então, por que continuar vivo?

A resposta sai da boca do próprio Carl em uma cena um tanto forçada, mas com um tom emotivo bem forte.

Mais uma vez a religiosidade e espiritualidade estão presentes, algo natural nessas circunstâncias. Dessa vez quem faz indagações sobre a existência ou não de Deus é Glenn, um personagem querido por muitos e que poderia ser melhor aproveitado.

Mas é claro, o destaque é mesmo Shane e sua atitude extrema. Estou pensando em uma maneira de justificar o ato covarde de Shane e só encontro uma: salvar Carl. Acredito que ele não agiu dessa forma pensando nele mesmo e sim no garoto. Agora, se tal atitude pode ser perdoada é outra questão. É justo tirar a vida de Otis para que Carl viva, ainda mais sendo Otis o responsável pelo estado de Carl? É uma pergunta difícil, ainda mais quando pensamos no contexto do mundo em que os personagens vivem em The Walking Dead. Uma coisa é certa: Rick jamais tomaria esta atitude. Ele iria preferir servir de isca para os zumbis e deixar Otis fugir.

Save the Last One permite discussões profundas, tem um ritmo agradável e se destaca pelo requinte narrativo e pela ousadia.
9/10