Homens e Deuses é um drama histórico que mostra a rotina de monges franceses vivendo na Argélia e a ameaça que eles recebem de terroristas presentes na região. Existe um enorme cuidado do roteiro e da direção para deixar o público familiarizado com o dia-a-dia dos monges. De maneira lenta, mas não cansativa, observamos os monges realizando trabalhos simples como cuidar do jardim e outros mais complexos, como ajudar a população da aldeia em questões médicas, tudo isso sem trilha sonora, algo que ajuda a nos transportar para aquele mundo. As coisas ficam complicadas quando terroristas aparecem pedindo ajuda. Os monges sabem que agora as coisas serão diferentes e existe uma chance da próxima visita dos terroristas ser mais violenta. A questão é: voltar para a França ou continuar na região com o perigo batendo à porta? O filme é hábil em prender a nossa atenção e em fazer nos importar com cada personagem, afinal, eles são bem desenvolvidos pelo roteiro e ganham vida de maneira memorável nas mãos de ótimos atores. Muitas ideias de cunho filosófico e moral são debatidas, sempre de maneira significativa e nunca soando maçante. O ápice de Homens e Deuses é a cena em que os monges degustam um copo de vinho ao som de O Lago dos Cisnes. A emoção que essa cena transmite não é algo que vemos todo dia no cinema. É difícil entender a ausência deste trabalho no Oscar 2011.