Incêndios, filme dirigido pelo canadense Denis Villeneuve, é daqueles trabalhos que contam com um bom roteiro, inesperadas revelações e ótimas atuações. Como tudo funciona muito bem, é impossível não ficar emocionalmente abalado com o que é visto na tela.
Tudo começa com a morte de Nawal Marwan e o testamento que ela deixa para os filhos, um casal de gêmeos. Dentre outras coisas, a mãe pede que eles entreguem duas cartas: uma para o pai deles, que eles não sabiam que se encontrava vivo e uma para o irmão, cuja existência eles desconheciam.
Jeanne Marwan toma a frente nessa busca e vai tentar descobrir as suas raízes no Oriente Médio. Intercalando as cenas de Jeanne com flashbacks da mãe, o diretor alcança um grau de fluidez invejável para a história, fazendo sua duração de mais de 2 horas parecer curta.
São inúmeros os momentos recheados de violência e tensão, sendo a maioria deles embalados pelo ódio religioso. A cena do ônibus é uma das mais impactantes, tanto pela direção, como pela atuação de Lubna Azabal, que transmite de maneira silenciosa todo o medo, revolta e desesperança que a situação proporciona.
Dono de um material pesado, Incêndios é mais um exemplo do bom cinema. Não é todo dia que vemos um drama familiar de qualidade em que o pano de fundo é o Oriente Médio e seus conflitos impulsionados pela região.
9/10