A chamada Trilogia do Silêncio de Bergman inclui Através de um Espelho, Luz de Inverno e O Silêncio. Não é uma trilogia propriamente dita, daquelas que um filme é a continuação do outro. Bergman havia dito, em uma entrevista, que esses três trabalhos abordam uma temática parecida ao discutirem intensas questões espirituais, por isso eles deveriam ser considerados relacionados.

Em O Silêncio, somos apresentados a duas irmãs e o filho de uma delas. Eles estão fazendo uma viagem de trem e decidem parar em uma cidade estrangeira, pois Ester, a irmã mais velha, não estava se sentindo bem.

Trata-se de um filme com poucos diálogos. Os três estão em um país estrangeiro, cuja língua eles não conhecem. A sensação de isolamento é enorme, algo que podemos constatar na dificuldade que Ester tem para se comunicar com os locais. Esse isolamento das personagens cresce ainda mais quando vemos o conflito emocional entre as duas irmãs. É uma verdadeira relação de amor e ódio, amplificada por essa parada forçada em um país que não é o delas.

Além disso, o filme tem um ar erótico e isso se deve às atitudes de Anna, que mostra que não precisa se fazer entender com palavras para ter o que quer.

Há também uma pitada de surrealismo quando anões espanhóis entram em cena e fantasiam o garoto Johan de mulher. Sério.

Pessoalmente, não consegui me conectar muito bem com os personagens e suas aflições, algo que certamente atrapalhou minha apreciação deste trabalho de Bergman. Em alguns momentos, o drama psicológico das irmãs é inacessível até para o público.
6/10