Atraídos Pelo Crime é um filme policial que apresenta um vasto repertório de clichês do gênero. Se você busca originalidade, aqui não é onde você quer estar. O curioso é que, apesar da falta de criatividade, a história cativa. O diretor Antoine Fuqua demonstra muita competência, nos fazendo esquecer um pouco os deslizes do roteiro.
Fuqua imprime um ritmo um pouco mais lento para a narrativa, colaborando para a criação de uma atmosfera tensa e angustiante, que nos deixa ansiosos pelo o que vai acontecer em seguida. A trilha sonora constante e um tanto sombria também ajuda nesse sentido.
Os personagens principais são três policiais que aparentemente nada tem a ver um com o outro, mas o desenrolar da história de cada um os conduzem para um encontro inevitável. Cada um deles enfrenta algum problema específico e é aí que mora grande parte dos clichês que mencionei: o policial disfarçado que passa a gostar do bandido, o policial prestes a se aposentar e o policial que pretende cometer um crime para ajudar a família.
Uma das virtudes do filme é criar esse dilema ético e moral para os seus personagens e trabalhá-los de maneira satisfatória, além disso é interessante notar que nenhum deles possuí algum tipo de escudo protetor. Eles não são imunes às consequências de seus atos, um passo em falso pode significar o fim de tudo.
Aqui não há espaço para maniqueísmo. Como é dito no primeiro diálogo, não existe certo ou errado e sim o mais certo e o mais errado. A princípio é uma ideia estranha, mas que ao longo do filme vai fazendo cada vez mais sentido.
Não fosse a atuação de Wesley Snipes, Ethan Hawke, Don Cheadle e Richard Gere a qualidade seria bem inferior. Ainda bem que eles estavam inspirados.

9/10