Dos filmes de Bergman que já tive a oportunidade de assistir, Gritos e Sussurros é um dos mais intensos. É tarefa árdua acompanhar  a sucessão de cenas de maneira passiva. Um turbilhão de sentimentos passa por nossas cabeças quando acompanhamos os momentos finais da moribunda Agnes. A melancolia toma conta não só pela morte iminente de Agnes, mas também pela relação das irmãs Maria e Karin com seus maridos e entre elas mesmas.

Fazia tempo que eu não via tamanha frieza e distanciamento numa relação de marido e mulher. Sem dúvida trata-se de uma sociedade dominada pelo machismo, na qual a repressão dos desejos parece ser uma obrigação para uma esposa. A cena em que Karin externa toda essa repressão não poderia ser mais chocante e corajosa.

O diretor de fotografia Sven Nykvist (que ganhou o Oscar de 1974) trabalha com um marcante simbolismo envolvendo cores e junto com Bergman cria uma atmosfera triste, que perdura até os minutos finais. De uma maneira até inesperada, as últimas cenas tentam nos oferecer um ar de esperança, mas após tanta dor e sofrimento fica difícil abrir um sorriso ou algo semelhante a isso.

Gritos e Sussurros é um doloroso estudo das relações humanas marcadas por muitos momentos infelizes e é também mais uma discussão do diretor sobre a morte, tema comum na sua filmografia.
8/10
IMDb