Em Vergonha o cineasta sueco Ingmar Bergman mostra como as mazelas da guerra podem atingir qualquer pessoa, mesmo que ela não esteja nem aí para as motivações políticas do conflito. Na primeira parte, o diretor de fotografia Sven Nykvist explora no preto e branco as belezas da ilha em que o filme foi rodado e Bergman tem tempo suficiente para nos apresentar ao relacionamento do casal composto por Eva (Liv Ullmann) e Jan (Max Vond Sydow).
Quando as primeiras bombas estouram ao redor da casa o medo toma conta do casal. Bergman transmite com maestria a sensação de que alguma coisa ruim está sempre prestes a acontecer. O clima hostil dura até o desfecho desesperançoso e inevitável.
O filme é um estudo de como uma situação extrema afeta e modifica o comportamento do ser humano. É assustador acompanhar o arco narrativo dos personagens, principalmente o de Jan. No início ele demonstra não ser capaz de matar uma galinha, algo que se transforma drasticamente nos minutos finais.
Algumas questões morais são levantadas, todas tendo como base a guerra e as mudanças que ela proporciona nas atitudes dos que sofrem com ela. Vergonha é um filme difícil, cuja conclusão fica martelando em nossas cabeças por algum tempo.
8/10
IMDb